Economia & Negócios

Servidores da PF fazem greve em Bauru

Diego Molina (com Patrícia Zamboni)
| Tempo de leitura: 3 min

Os servidores da Polícia Federal (PF) de Bauru paralisaram suas atividades ontem com as reivindicações da atualização de sua tabela de vencimentos, que representaria aumento de 20% a 30% em seus salários, e melhores condições de trabalho. O movimento ocorre em todo País, com adesão de 90% ontem.

Inicialmente, a greve está programada para estender-se apenas até hoje, mas a decisão dependerá das propostas que lhes forem apresentadas. A adesão dos funcionários em Bauru foi completa. Ontem, apenas os delegados trabalharam. Hoje, em assembléia será decidido pelo retorno ou não ao trabalho nesta sexta-feira.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Civis e Federais do Departamento de Polícia Federal no Estado de São Paulo, Evanir Moraes, a reivindicação principal é a implantação da tabela com os valores de vencimentos equivalentes aos cargos de nível superior, aprovada pela lei 9.266 em 1996.

“Havia duas tabelas para calcular os salários dos servidores, uma para cada nível. Com a lei, todos os cargos que eram de nível médio na carreira policial foram transformados em nível superior, mas os servidores que eram de nível médio continuaram recebendo seus vencimentos como nível médio, e não superior”, explica Moraes.

Depois da aprovação da lei, todos os servidores - agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal - necessitam de pelo menos um curso universitário para ingressar na PF. Além disso, eles tiveram as atribuições de suas categorias funcionais ampliadas, exercendo atividades mais complexas, segundo o sindicato.

O diretor afirma que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Advocacia Geral da União (AGU) já reconheceram o direito dos servidores, porém, o governo federal ainda não destinou verbas para o reajuste. A atualização da tabela significaria reajuste salarial para os servidores de 20% a 30%.

“Também reivindicamos melhores condições de trabalho, pois os departamentos estão atuando de forma precária, sem papel, sem tinta nas impressoras”, diz Moraes.

O sindicato informa ainda que os servidores pedem a implantação de gratificações de risco de vida e compensação orgânica e concurso imediato para preenchimento de 1.500 vagas.

A PF não divulga o número de servidores na delegacia de Bauru, por questão de segurança, mas o diretor do sindicato afirma que todos os que se enquadram na categoria de nível superior estão parados. Ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que vai discutir com o ministro Guido Mantega (Planejamento) o impasse sobre a greve.

Outras categorias

Outras categorias policiais também têm protestado e reivindicado melhorias salariais. O vice-presidente da sede regional da Associação dos Oficiais de Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Aorpm), coronel Sílvio Orti, diz que a entidade faz parte de uma luta junto com outras 43 associações que reivindicam 46,9% de reposição salarial.

“A arma que temos para reivindicar melhorias é a pressão política feita por meio de manifestações que demonstram a insatisfação de funcionários ativos e inativos. Não basta investir em viaturas e equipamentos; é preciso investir no homem”, observa.

O presidente da regional da Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, José Carlos Vítor de Oliveira, diz que “os investigadores ganham dez vezes menos que os servidores da PF”. “A defasagem salarial é enorme. O índice de 46,9% que reivindicamos é apenas para repor as perdas, não é um reajuste. Temos feito vários protestos e não vamos parar.”

O secretário-geral da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Renato Marcos Porto, diz que os delegados paulistas estão recebendo o pior salário do Brasil na categoria. “Entre todos os Estados, São Paulo só perde para a Bahia. Mas considerando a grandeza de São Paulo, pode-se dizer que é o último colocado.”

Comentários

Comentários