Tribuna do Leitor

Vitória régia, espetáculo de rara beleza


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Dalva Corrêa, suas filhas Márcia (Nuriah) e Marisa juntamente com Norma Masella (coreógrafa convidada) estão de parabéns. A apresentação do ballet “As aventuras de Marco Polo” foi um espetáculo de nível internacional, digno de sucesso nos palcos da Europa ou Estados Unidos.

Nesta apresentação até mesmo as pequeninas alunas brilharam, particularmente uma minúscula bailarina com seu traje vermelho brilhou como uma brasa incandescente conquistando a platéia com seus movimentos muito bem ensaiados e seu entusiasmo inocente e contagiante, uma Pavlova em formação.

Como um criador de lobos, fiquei emocionado com a cena “Os cabeças de lobo” ao som da eletrizante música de Morsowisky “Night on the bald mountain”. Os dançarinos conseguiram transmitir o “feeling” que o compositor tinha em mente, um sentimento de magia, suspense e ao mesmo tempo uma ternura misteriosa que é tão característica desses animais, desta forma transportando os espectadores ao terreno limítrofe entre o sonho e a realidade.

A cena “A misteriosa Índia” interpretada pelas alunas adiantadas foi um dos pontos altos da apresentação que juntamente com a peça “Divertissement” da primeira parte revelaram as pedras preciosas que Dalva lapidou com tanto carinho, dedicação e amor. As expressões faciais, os movimentos das mãos, o ritmo apurado e o tempo de sincronização tudo enfim contribuiu para uma apresentação quase perfeita.

Em cada cena eu achava que o apogeu havia sido atingido, não esperava que algo tão emocionante pudesse se repetir, mas mais surpresas vinham uma após a outra. As “Danças da Arábia” foi outro ponto alto onde podemos apreciar o talento de Nuriah em sua excelente coreografia. Pudemos apreciar a verdadeira cultura semita com a sua raiz única dos descendentes de Abrahão das linhas de Sarah e Agar que hoje em dia se enfrentam em confrontos sangrentos. Algumas das cenas das danças refletiam a alegria tão típica do povo de Judah festejando a vida, outras cenas nos transportaram como num tapete mágico às maravilhas dum palácio de um sultão; cores, brilhos e mulheres maravilhosas, nem mesmo em Las Vegas, San Francisco, Phoenix, Sacramento ou Salt Lake City assisti um espetáculo tão fascinante. Onde quer que seja que esse espetáculo for apresentado a garantia de sucesso é absoluta. É uma pena que a TV não esteja ciente da oportunidade que está perdendo. O Ballet Vitória Régia tem muito mais a oferecer do que aqueles que a TV Cultura insiste em divulgar, tenho certeza de que há muito mais interesse em danças como as que Dalva apresenta do que essas coisas grotescas chamadas de dança experimental. Talento, trabalho, dedicação, bom gosto é o que o público espera e isso é o que o Ballet Vitória Régia tem de melhor.

A cena “Chinesas de Pequim” foi outro ponto alto, a leveza das bailarinas na execução das pontas com um sabor chinês foi verdadeiramente espetacular, pareciam flores delicadas esvoaçando pelo palco. A introdução do dragão no início da cena foi um banquete para os olhos. O espetáculo todo foi um destes momentos raros de extrema felicidade em que a gente só teme que termine.

Bauru é uma cidade privilegiada, a vinda de Dalva para nossa cidade foi uma dádiva “sine qua non”, ela plantou as flores ao longo de nossa trajetória como muito bem expressou o nosso grande amigo Sidney Fernandes em sua feliz apresentação.

Benedito S. Guedes de Azevedo

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