A crise econômica e o desemprego vêm aumentando até a demanda no programa de assistência funerária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), voltado a pessoas carentes e indigentes. De acordo com o gerente de Necrópole da empresa, José Tavares da Silva Martins, houve um aumento de 58% no número de funerais realizados pelo programa neste ano, em comparação com os últimos dois anos.
“É um programa que existe há vários anos e atende pessoas carentes ou indigentes, que não têm família ou cujos parentes não têm condições financeiras para fazer o enterro. O Município dá o transporte e faz a preparação do corpo, dá a urna (caixão) e cede o local para sepultar no Cemitério do Redentor, tudo de graça”, afirma.
Há dois anos, o programa fazia de 15 a 20 sepultamentos ao mês, segundo Martins. Nos últimos meses, a demanda tem ultrapassado 30 funerais. Ele observa que o aumento se deve principalmente ao grande número de indigentes e pessoas sem família nem planos de fundo mútuo. “A crise tem afetado muito as pessoas, que estão desempregadas e não têm condições de fazer o funeral para um familiar”, diz.
O corpo é enterrado no Cemitério do Jardim Redentor, o único dos cinco cemitérios municipais que tem área especial reservada para o programa. Após três anos, caso a família não procure a administração para realocar a ossada, ela é enterrada no local, cedendo o espaço para um novo sepultamento.
A presidente da Associação de Moradores da Comunidade Ferradura Mirim, Gisele Moretti, comenta que já precisou contatar o programa para auxiliar famílias e para fazer o sepultamento de moradores carentes do bairro. “Há 15 dias, mais ou menos, um morador do bairro faleceu e ficou no IML (Instituto Médico Legal), porque não tinha parentes aqui em Bauru. A ex-sogra foi na Funerária Municipal, foi atendida e não teve nenhum tipo de problema nem dificuldade”, afirma.
Moretti elogia o programa da Emdurb pela facilidade com que esta situação vem sendo resolvida, principalmente num momento em que a família está desestabilizada pela perda de um ente.
“Nesta parte, a Emdurb está de parabéns, porque não tem burocracia nenhuma para conseguir a documentação e o sepultamento. Este rapaz foi enterrado no Redentor, e não teve gasto nenhum. No caso de pessoas carentes ou indigentes, nós encaminhamos um ofício solicitando à assistente social da Emdurb, e eles cederiam um espaço até para realizar o velório”, observa.
“Se a pessoa tem condições financeiras, ela vai pagar particular ou procurar um plano de fundo mútuo, ainda durante a vida. Quem não tem, ao morrer, é sepultado. Não existe uma pessoa que morre e não é sepultada”, afirma José Tavares Martins.
Custo
O gerente de Necrópole da Emdurb destaca que um funeral pode chegar a custar mais de R$ 1 mil para a família. “Para pagar em particular, um funeral mais barato custa R$ 456,00, com uma urna simples, o aluguel da sala de velório, a notificação no jornal, as flores e a preparação do corpo”, diz Martins.
A aquisição de um terreno em um cemitério da cidade, com duas gavetas, custa cerca de R$ 670,00. “Mas quando a família compra as gavetas, vai ter aquilo para a eternidade. Quando um próximo ente falecer, pode ser enterrado no local”, aponta.
Uma alternativa que vem sendo muito procurada por famílias atualmente são os planos de fundo mútuo das funerárias. Com pagamentos mensais, a família terá disponíveis todos os serviços necessários no funeral.
Martins afirma que há planos mais simples, de até R$ 10,00 mensais, que podem livrar a família da preocupação de organizar o sepultamento e a documentação em um momento tão difícil como o da morte de um ente querido.