Economia & Negócios

Marca alternativa pode baratear ceia

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Fugir das marcas tradicionais de panetone, champanhe e peru e correr atrás de promoções é uma maneira eficaz de baratear a ceia de Natal sem perder a qualidade. Para manter a competitividade e as vendas no período, as líderes de mercado disponibilizam ao consumidor duas ou mais marcas alternativas, quase um imperativo neste Natal, que registra preços, em média, de 10% a 20% superiores aos do Natal de 2002.

“As indústrias apresentam marcas alternativas para continuar concorrendo no segmento, ainda mais num mercado sazonal”, afirma o gerente de compras Marcos Renato Lourenção, de uma rede de supermercados de Bauru. Segundo ele, as principais altas foram no panetone, que utiliza trigo importado, e no setor de aves e frios, em produtos como chester, peru e tender.

“Houve repasse do aumento de alguns insumos e de tarifas, como a energia elétrica. Isso atingiu o segmento de produtos para o Natal”, declara Lourenção, ressaltando que não houve nenhum aumento “drástico”. Ainda segundo ele, a rede está procurando absorver as altas. “Os produtos de Natal são sazonais, não fazem parte do nosso mix. Por isso, a gente evita repassar os aumentos para o consumidor final”.

De acordo com o coordenador do setor de mercearia de outra rede supermercadista, Rogério Lima, os preços que mais subiram neste Natal foram os das aves. “A justificativa de nossos fornecedores é que como esses produtos são vendidos em dólar para o Exterior não compensa vender no Brasil, o mesmo que ocorreu com o açúcar há alguns meses”, diz.

Quanto às marcas alternativas, Lima observa que elas estão cada vez mais presentes no mercado - e agradam o consumidor. “Já é uma tendência em vários segmentos: a empresa tem a marca top de linha e outras com preços mais acessíveis”.

Ele afirma, porém, que os preços dos itens tradicionais não afastam os clientes: “Numa época como o Natal, o panetone tradicional, por exemplo, não perde espaço. Há pessoas que compram para presentear, para a ceia, e não abrem mão da marca”. Segundo Lima, as marcas de panetone mais baratas ou o de fabricação própria são mais utilizadas para compor cestas de Natal em empresas ou nas compras “por impulso”, sem um objetivo definido.

Espera

Para os consumidores, outra alternativa econômica é aguardar a proximidade do Natal, quando os produtos típicos começam a baixar. A aposentada Ulmina Thereza Gigo Mateus já começou a comprar alguns itens, como a castanha, e afirma que os preços estão mais altos que no ano passado. “Tem coisas que eu vou deixar para comprar mais perto do Natal. Vou esperar diminuir um pouco”, diz.

A doméstica Lourdes da Silva, 47 anos, conta que ainda está em fase de pesquisa de preços, mas o que já viu não dá para comprar. “Esse ano ainda não comprei nada, mas andei olhando os preços do panetone e estão bem altos”, diz.

Segundo ela, os panetones alternativos são uma ótima opção. “Eu compro os panetones caseiros, de fabricação própria, são mais baratos e a qualidade é boa”. Para Lourdes, no entanto, a alta de preços não se restringe a artigos natalinos. “No ano passado estava tudo mais barato, não só coisa de Natal”, afirma.

Já a empresária Sirlei Cruz, 55 anos, conta que não sentiu muita diferença em relação ao ano passado. “Estamos pesquisando, mas já está no momento de comprar. Acho que os preços estão bons, não aumentou muito”, declara.

A filha dela, estudante Ana Elisa Corrêa, 19 anos, discorda. Para ela, comparativamente pode não haver muita diferença de preços, mas há produtos que já estão muito caros desde outros Natais. “Eu compro uma marca mais barata, menos conhecida, mas não pago R$ 9,00 num panetone, não”, afirma.

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Procon

O Procon realizou uma pesquisa de preços de produtos típicos do Natal em supermercados de São Paulo, no início do mês, e constatou: há itens com diferença de até 106%. De acordo com o órgão de defesa do consumidor, foi constatado que o quilo do pernil suíno temperado sem osso podia ser comprado por valores que variavam de R$ 8,95 a R$ 18,50.

Nas frutas secas ou em calda, os técnicos do Procon constataram que a maior parte dos produtos oferecidos é de marcas próprias, o que inviabiliza a comparação. Mesmo assim, um pacote de 200 gramas de uva passa branca sem semente, da mesma marca, apresentou diferença de 42% em dois supermercados diferentes da Capital.

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