“2003 é um ano para esquecer.” Com esta frase, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, resume o ano ruim que o setor supermercadista está enfrentando, apesar do sucesso individual de algumas empresas que continuam investindo e crescendo. Segundo ele, no Estado de São Paulo 2003 será encerrado com resultado cerca de 2% inferior ao do ano passado.
De acordo com Honda - que esteve em Bauru quinta-feira e ontem participando de um evento realizado na sede regional da Apas -, o mês de dezembro está registrando uma recuperação, mas que não chega a servir de consolo a grande parte dos empresários deste segmento.
Para ele, o principal causador deste quadro negativo foi a conjuntura nacional de uma economia lenta e tímida, além de alguns reflexos de 2002.
“Todos os ramos de varejo sofreram muito este ano. Um dos principais fatores que levaram a isso está ligado àquela inflação que ocorreu no ano passado, com a qual não estávamos mais acostumados. Num período muito curto os preços subiram muito. Mas as medidas que o governo tomou para conter a alta dos preços também influenciaram. Eu acho que foi utilizado o remédio certo, mas em dosagem exagerada”.
Na avaliação do presidente da Apas, a recuperação que está sendo contabilizada neste mês aponta um cenário bem melhor para o setor em 2004.
“Todos os indicadores estão apontando para uma reversão deste quadro ruim no próximo ano. Ou seja, o País conta com todas as condições para voltar a crescer, com a tendência dos juros continuarem caindo, a estabilidade política, um ótimo balanço nas exportações, enfim, uma série de situações sobre as quais todas as avaliações levam a crer que 2004 será um bom ano”, diz Honda.
A tendência de que as empresas de menor porte continuem competindo e “dando trabalho” para as grandes redes supermercadistas no ano que vem, a exemplo do que já vem ocorrendo nos últimos anos, deve permanecer, na avaliação de Honda.
“Essa tendência deve continuar, porque muitos pequenos (empresas de menor porte) estão se cotizando e formando centrais de compras, centrais de negócios, e as médias empresas também estão conversando no sentido de realizar parcerias, até porque temos muitos gigantes do setor operando com planos de expansão. Isso fortalece os pequenos e médios”, avalia.
Interior
Visitando o Interior do Estado de São Paulo, o presidente da Apas diz que o cenário é animador. Segundo ele, mesmo com as dificuldades imputadas pelo cenário global, muitos supermercadistas continuam investindo, crescendo e colhendo bons frutos.
“Pelas visitas que tenho feito, percebo que é hora de colher o que foi semeado. Tenho visto muitas lojas sendo reformadas, ampliadas e inauguradas. Isso é uma característica interessante e importante do setor supermercadista. Eu acho que quem fez investimentos neste ano vai acabar colhendo os frutos em 2004. Eu diria que não existe um setor tão otimista quanto o nosso, porque apesar das quedas nas vendas, os investimentos continuam sendo feitos.”
De acordo com Honda, Bauru e várias cidades da grande região são muito prósperas no setor supermercadista. O bom desempenho que vem sendo registrado por muitas empresas do ramo nos últimos anos é uma “marca registrada” no Interior paulista. “Bauru, inclusive, tem um padrão acima da média do mercado”, finaliza.
Sussumu Honda, que assumiu a presidência da Apas no ano passado, esteve em Bauru para participar de um evento organizado pela diretoria regional da associação, comandada pelo empresário Jad Zogheib. Na ocasião, supermercadistas da região e fornecedores participaram de um jantar japonês na sede local da Apas.