Todos os celulares são vulneráveis à clonagem, mas o comportamento cauteloso do usuário pode ajudar a driblar o problema. Namoro prolongado no telefone em lugares públicos ou bate-papos intermináveis durante eventos sociais são práticas desaconselhadas para quem não quer passar o final de ano às voltas com as conseqüências financeiras provocadas pelo delito.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) registra pelo menos um caso mensal de clonagem em Bauru, informa o titular da delegacia, J.J. Cardia. Ele está investigando vários celulares suspeitos apreendidos numa operação deflagrada recentemente.
De acordo com Cardia, cada celular dispõe de um hexa, ou seja, uma espécie de chassi eletrônico, que identifica o aparelho. O hexa pode ser clonado através das ondas eletromagnéticas ou a partir de informações registradas no próprio aparelho celular. “Não é preciso pegar o aparelho na mão para clonar”, enfatiza o delegado.
Para copiar as informações de um telefone móvel, quadrilhas utilizam um computador portátil dotado de um programa de computador específico, que é acoplado a um equipamento capaz de captar as ondas eletromagnéticas. O próprio celular e rastreadores conhecidos como Scan podem interceptar o sinal, informa um especialista no assunto que preferiu ter o nome preservado.
Meios
Ele esclarece que, mesmo não sendo utilizado, os aparelhos constantemente emitem informações rápidas às torres de transmissão. Dados referentes à localização do celular, por exemplo, a todo momento são enviados. Porém, as clonagens são realizadas quando os aparelhos estão em uso, período em que a quadrilha tem mais tempo para interceptar as ondas, captá-las e decodificar o pacote de informações transmitido por elas.
“Ficar pendurado no celular é um prato cheio para as pessoas mal-intencionadas. Elas ficam em locais de grande concentração e tentam clonar o maior número possível de aparelhos. Ninguém está imune às clonagens, mas é possível dificultá-las”, diz o especialista, que recomenda conversas rápidas ao telefone em aeroportos, por exemplo.
Outra forma de clonar, enfatiza ele, é por meio do próprio aparelho, que dispõe de informações alfanuméricas e um código de barra sob a bateria. “As pessoas precisam procurar empresas credenciadas para fazer a manutenção”, orienta.
As dicas também são recomendadas pelas operadoras que telefonia móvel, que preferiram não se manifestar sobre o assunto e não apresentaram números de casos registrados no município. Uma delas informou que em 99% das ocorrências, a clonagem é informada ao usuário pela operadora, que faz um monitoramento das chamadas e dos valores da fatura.
Comunicação
A informação foi confirmada por usuários e pelo próprio delegado. “A companhia detecta a clonagem pelo histórico do aparelho e faz contato com o cliente. Em outros casos é o usuário quem percebe (a clonagem) pela conta, faz contato com a operadora e registra Boletim de Ocorrência”, diz Cardia. Segundo ele, casos envolvendo telefones rurais representam a metade das ocorrências. Os telefones rurais também não utilizam cabos, mas ondas.
“Normalmente a companhia resolve o problema desativando o número”, acrescenta.
Foi o que aconteceu com uma usuária que pediu para não ser identificada. Ela também foi comunicada sobre a clonagem de seu celular pela operadora, que estranhou a freqüência de ligações para o Rio de Janeiro e o valor da conta, que subiu de uma média de R$ 55,00 para R$ 800,00.
“Foram 79 ligações para lá (RJ). Para mim foi péssimo (a clonagem), porque mudou meu número de telefone”, comenta. Ela acredita que a clonagem tenha acontecido durante uma viagem em que o uso do celular foi necessário numa região de muitas penitenciárias.
Porém, a relação da clonagem com os presídios é considerada improvável pelo delegado JJ Cardia, já que a prática depende de aparelho sofisticado. Um programa para essa finalidade custa cerca de U$ 7 mil (cerca de R$ 20 mil), no mercado paralelo, diz o especialista. O JC não localizou a assessora de imprensa da Secretaria das Administrações Penitenciárias para comentar a questão.
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Recomendações aos usuários
• Não emprestar celular a desconhecidos
• Manutenção do aparelho deve ser feita por empresas credenciadas
• Evitar o uso de celular em locais de grande concentração de pessoas
• Fazer ligações breves
• Exigir a nota fiscal na compra do aparelho