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Carros são 'vitrines' da moda

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 6 min

Carros e moda parecem assuntos distintos. Só parecem. Enquanto os primeiros e seus fabricantes utilizam referenciais da segunda para definir, entre outros pontos, padrões de tecidos, revestimentos e até o design de um modelo, os estilistas têm nos automóveis uma de suas principais fontes de inspiração para o desenvolvimento de novos vestuários e acessórios.

Uma prova dessa cada vez maior ligação entre ambos são as tendências outono/inverno 2004, que será dominada pelos esportes de alta velocidade. Por essa razão, não é exagero considerar os veículos uma verdadeira “vitrine” tanto para quem os dirige quanto para seus simples passageiros.

E, por constituírem peças fundamentais deste instrumento que os expõe ao mundo, motoristas e ocupantes devem preocupar-se com seu visual e, especialmente, com o vestuário. É o que ressalta Odil Zepper, coordenador de moda e estilo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). “Carro também é lugar para se pensar em moda”, enfatiza.

Zepper faz questão de destacar que o conceito atual de moda não é elitista. “Ela não é coisa de rico e nem deve ser associada apenas à alta costura. Hoje, tudo serve de referencial para a moda, que é marcada pela individualidade. Cada um faz a sua e se veste como acha melhor”, explica o coordenador.

Tais razões, acrescenta Zepper, inviabilizam a definição de um hipotético visual básico para vestir dentro do veículo. “É algo que depende da profissão e da necessidade de cada um. Apesar disso, o que importa é que a pessoa se sinta bem com a roupa que julgou a melhor para ela naquele momento”, sustenta.

A “onda” de personalização dos automóveis, segundo Zepper, também constitui outro exemplo de como a moda os influencia. “Já vi alguns forrados com couro da Louis Vitton e até com a manopla do câmbio cravejada de diamantes. Também há coleções de bolsas cujos desenhos basearam-se em carros”, frisa. “Desta forma, os veículos acabam sendo um acessório, como uma bolsa, para as pessoas”, compara.

Apesar disso, Zepper enfatiza que a preocupação em acompanhar as tendências de vestuário não deve superar a da segurança ao volante. “Só porque determinado tamanco ou chinelo está na moda não é desculpa para utilizá-los nesta situação, pois tais tipos de calçados são proibidos para dirigir”, adverte.

O coordenador refere-se à legislação existente no Código brasileiro. O artigo 252 determina que conduzir um veículo usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais é uma infração média, passível de multa e adição de quatro pontos no prontuário. “Todo aquele que não se fixe ao calcanhar é proibido”, resume o cabo Sérgio Soares da Silva, da Companhia de Trânsito de Bauru.

Mas, para alívio das mulheres, não há restrições legais contra os saltos altos, uma tendência deste verão segundo o coordenador. “A pessoa deve ter consciência do que é perigoso utilizar nos pés. Entretanto, mesmo sabendo disso e que o calçado não está sendo visto pelas pessoas de fora, conheço muitas que desrespeitam as regras. É uma necessidade de auto-afirmação que as tornam vítimas da moda”, considera Zepper.

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Individualidade

Sentir-se bem dentro da “vitrine”, ou seja, no carro, é essencial para o bem-estar a bordo. E uma das formas para se conseguir tal meta é estar com um vestuário que propicie essa sensação. É o que consideram as jovens amigas bauruenses Danielle Lantman Katz, 23 anos, e Aline Piccoli, 20 anos.

Danielle não abre mão de um salto alto para dirigir. “Fico à vontade e ele serve até de apoio aos pés. Além disso, é charmoso e os homens reparam muito”, justifica. Ela complementa que também faz questão de sair sempre bem arrumada. “É mais por opção que necessidade. Sou vaidosa mesmo”, afirma.

No entanto, Danielle destaca que a intenção é buscar um estilo próprio. “Não é questão de querer aparecer. O legal é criar um diferencial e não copiar os outros de uma forma que a pessoa olhe para você e já tenha uma noção de sua personalidade”, considera.

Para a jovem, a preocupação com o visual e, principalmente, a moda já é mais intensa até entre os homens. “Antigamente, eles se preocupavam só com os carros. Hoje, já estão aceitando e priorizando mais a aparência quando saem de carro”, acredita.

Já Aline possui um perfil diferenciado. Salto alto para guiar nem pensar. “Só guio descalça ou de tênis”, revela. Para ela, a relação entre moda e segurança é um “drama”. Por isso, ela admite que faria questão de utilizar um chinelo que estivesse na “crista da onda”, mas com consciência. “Dirigiria com outro calçado, mas levaria ele comigo e o colocaria depois só para ficar bonita”, explica.

Segundo Aline, é imprescindível preocupar-se com a moda para a pessoa, acima de tudo, estar e sentir-se confortável no veículo. “Se ela se sente à vontade só usando tênis, que seja um bacana”, diz. “O resto depende da ocasião e estilo”, conclui.

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Tendências

Outra prova de que os veículos e a moda combinam é a tendência outono-inverno 2004. O coordenador de moda e estilo do Senac, Odil Zepper, afirma que o próximo ano será dominado pelos esportes de velocidade, principalmente o automobilismo, com destaque para a Fórmula 1, stock car e rally, e o motocross.

Segundo Zepper, o vestuário destas estações será marcado pelo retorno das jaquetas motoqueiro e bombers, além das calças retas ou estilo abrigo. As cores variarão do monocromático ao contraste com recortes. “Branco, preto, bege, tons de rosa, vermelho e branco, cinza com vermelho, azul com preto, verde com branco e amarelo com preto devem predominar”, prevê o coordenador.

Já os tecidos vão se basear em estilos práticos e confortáveis, com forte presença de zíperes metalizados, nylon, matelassê e couro. “Stretch, helanca, ponto Roma, moletinho com elastano, viscolycra, meia-malha e redes são as fortes tendências”, informa Zepper.

Em relação às padronagens, quadriculados em preto e branco, amarelo e preto, estampas localizadas e esportivas, números, bandeiras, embalagens de óleo e logotipias de marcas e escuderias servirão de referência e inspiração para este segmento. “As estampas também poderão ser substituídas por recortes, que se destacam com a combinação de diferentes materiais e cores”, frisa ele.

Já as formas do outono/inverno 2004 mesclarão diferentes estilos. “Desde as justas com a presença do macacão que contorna a silhueta até as mais despojadas, que expõem a praticidade e conforto do tema. Desta forma, destacam-se os macacões e jaquetas, com muitos recortes anatômicos em contrastes”, enfatiza o coordenador de moda.

Quem também seguirá a alta velocidade na próxima temporada, conforme Zepper, serão os acessórios. “Virão com tudo as botas cano alto e salto fino com aplicações de materiais emborrachados e matelassê, as mochilas esportivas com mistura de materiais, como couro, nylon e tela, e os óculos de sol tipo viseira”, conclui.

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