Economia & Negócios

Noivos injetam R$ 2,5 mi na economia

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Dezembro se consolidou definitivamente como o mês das noivas. Por conta do recebimento do 13.º salário, muitas pessoas estão optando por essa época do ano para se casar. Nos dois Cartórios de Registro Civil de Bauru estão previstos 254 enlaces matrimoniais neste mês. Com isso, estima-se que as cerimônias injetem, aproximadamente, R$ 2,5 milhões na economia da cidade.

O economista Reinaldo César Cafeo lembra que o movimento se dá em cadeia. “Os casamentos requisitam uma série de compras e serviços, estimulando a economia de uma maneira geral”, destaca.

Tudo começa antes da cerimônia. Os noivos passam por todo um ritual de preparação, que vai desde cuidados com a pele até a roupa e o penteado. Esse processo geralmente é mais voltado às mulheres, que têm inclusive um dia da noiva reservado em salões de beleza da cidade. Esses estabelecimentos costumam ter uma programação exclusivamente voltada à futura esposa.

Regina Baptista, proprietária de um salão de beleza, confirma que em dezembro tem, pelo menos, uma noiva por final de semana para arrumar, número considerado muito bom. “A concorrência hoje é grande e as clientes fazem muita pesquisa de preço antes de optar pelo instituto de beleza”, frisa.

Entre vestimenta, buffet, contratação de músicos e demais despesas para a cerimônia, gasta-se, em média, R$ 10 mil, de acordo com Cafeo. â€œÉ claro que tudo depende do estilo da festa. Algumas ficam em torno de R$ 3 mil, outras, R$ 20 mil, podendo chegar a R$ 50 mil em alguns casos”, exemplifica.

A estudante Aletéia Pedroso Silva, que se casou ontem, diz que gastou mais de R$ 5 mil para realizar o seu enlace. “Isso porque foi uma cerimônia para poucas pessoas”, destaca.

Ela começou a organizar a festa em julho, quando decidiu se casar. “Sempre optei por pagar à vista, quando podia. Quando era necessário parcelar, dividi em poucas prestações, para quitá-las sempre antes do casamento”, salienta.

Somente para casar no civil ela desembolsou R$ 209,00, que é a taxa cobrada para a realização da cerimônia. Se optasse por levar o juiz de paz até a cerimônia, esse valor subiria para cerca de R$ 610,00.

Vale lembrar que não são apenas os noivos que gastam com a realização do casamento. Os convidados preparam-se intensamente para a cerimônia, adquirindo roupas, calçados, presentes e cuidando do visual.

Elza Mateus Dias e Daniela Dias Pineli, proprietárias de uma loja de presentes que tem forte atuação neste setor, contam que começam a aumentar o seu estoque em agosto, visando justamente o final do ano. “O nosso forte são as listas de casamento, que movimentam bastante a loja nessa época do ano”, destaca.

Festas

Alexandre Antonio de Matos Nascimento, oficial do 2.º Cartório de Registro Civil de Bauru, acredita que a entrada do 13.º salário, somado à possibilidade de tirar férias no final do ano, estimula a preferência pelo mês de dezembro.

Ele diz que são feitos cerca de 30% a 50% mais enlaces matrimoniais nessa época do ano. Particularmente neste ano, a quantidade de casamentos marcados para dezembro foi quase o dobro dos realizados em maio, antigamente chamado de “mês das noivas”. “Tivemos 51 casamentos em maio e deveremos fechar dezembro com 95”, explica.

No 1.º Cartório de Registro Civil a situação é semelhante. De acordo com o oficial Ademilson Luiz Mendes Novelli, até sexta-feira, estavam previstos 159 casamentos para dezembro, contra 113 realizados em maio, ou seja, 40% a mais.

Quem comemora essa tendência é o setor de festas. Os buffets, além das festas de final de ano, correm contra o tempo para organizar os casamentos.

O proprietário de um deles, Luiz Claudio Malandrino, salienta que do ano passado para cá a procura tem aumentado consideravelmente. “Todo final de semana, a gente tem festa de casamento para fazer”, comemora. Para se ter uma idéia da disputa por datas, já tem gente agendando para dezembro de 2004.

Ele diz que uma das principais preocupações dos noivos é com relação ao pagamento da festa. “Eles geralmente pedem para parcelar e procuram não levar a dívida para depois do casamento, ou seja, pagam antes da cerimônia”, destaca.

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