As mãos podem não ser tão ágeis como no passado. Mas a curiosidade e a vontade de experimentar novos mundos estão levando muitas pessoas que já passaram dos 50 anos a estudar informática, digitar trabalhos, navegar pela Internet e compartilhar bons momentos com os netos.
Um levantamento feito pelo instituto de pesquisas Nielsen/NetRatings, dos Estados Unidos, mostra que o crescimento de internautas da terceira idade foi de 25% entre outubro de 2002 e novembro de 2003.
Em Bauru, o interesse entre essa faixa etária também tem aumentado consideravelmente. Não há pesquisas que indiquem isso de forma quantitativa, mas não é difícil encontrar pessoas que começaram a usar mouse e teclado depois dos 50 anos.
A coordenadora da Universidade Aberta da Terceira Idade - ligada à Universidade do Sagrado Coração (USC) -, Gislaine Aude Fantini, destaca que há 10 anos, quando o curso de informática voltado à terceira idade foi aberto, apenas dois ou três alunos se inscreviam. Hoje, as 25 vagas são bastante disputadas pelas pessoas que querem descobrir o que existe por trás desse monitor “mágicoâ€. “O melhor é perceber que até mesmo quem estudou apenas até o antigo primário deseja e consegue aprender a lidar com informáticaâ€, destaca.
Ela diz que o que tem atraído os senhores e senhoras para as aulas é a possibilidade de estudar com um grupo da mesma faixa etária. “Assim, eles não ficam constrangidos e investem com prazer no aprendizadoâ€, salienta.
O curso oferecido pela USC tem três níveis, com duração de um semestre cada. No primeiro, o básico não significa ir direto aos comandos. Os alunos aprendem inclusive a ligar a máquina, tudo bem detalhado para ajudar na absorção das informações. “A partir daí é que eles pegam gosto pela informáticaâ€, indica a professora.
Interessada por esse assunto, Gislaine vai desenvolver a sua tese de mestrado sobre o impacto da informática na terceira idade. “Tenho percebido que as pessoas com mais de 50 anos estão procurando se atualizar e superando o medo de lidar com a informáticaâ€, diz.
Ela lembra que muitas são persistentes e não desistem na primeira tentativa. “Tem gente que faz três vezes o curso básico, para ter certeza que aprendeu.â€
Quem tem mais facilidade, acaba ajudando os colegas. “Alguns alunos se destacam e se tornam monitor, ajudando os outros alunos nas tarefasâ€, salienta.
Ela explica que realmente não é muito simples para essa turma se aventurar pelo mundo da informática. â€œÉ natural do ser humano: com a chegada da idade, a agilidade vai diminuindo mesmo.â€
Além disso, há o fator do desconhecido. Para quem nasceu na era da informática, o computador é indispensável e faz parte do dia-a-dia. Diferente para quem tem mais de 50 anos, que passou boa parte da vida sem conviver com essas máquinas. “Só para comparar: a criança aprende mais rápido porque não tem medo de mexer. Já os mais velhos têm de superar esse receio do equipamento, que parece coisa de outro mundoâ€, frisa a professora.