A Polícia Militar (PM) e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estão testando pela primeira vez neste final de semana a proibição de estacionamento de veículos na avenida Getúlio Vargas, entre as quadras 13 e 19, ao lado do Aeroporto. A proibição já foi executada anteontem e ontem à noite, das 23h às 3h, e hoje, das 17h às 20h, os motoristas também deverão respeitar a medida no mais movimentado ponto de encontro da cidade.
Na noite de sexta-feira, 21 policiais e 13 viaturas foram especialmente destacados para fiscalizar a via e as ruas adjacentes. De acordo com o comandante da Base Comunitária de Segurança Sul, tenente João da Costa Duarte, apenas seis veículos foram autuados na avenida por estacionarem em local proibido. “Não tivemos problemas nem reclamações. A população aceitou bem a medida. Ontem (sexta-feira), inclusive, havia várias vagas para estacionar do outro lado da avenidaâ€, comenta.
A proibição de estacionar na Getúlio foi estabelecida para tentar minimizar a ocorrência de atos de vandalismo, algazarra exagerada e até mesmo infrações e roubos registrados no local nos finais de semana. Há menos de um mês, um arrastão vitimou pelo menos sete pessoas na avenida.
O comandante da 1ª Companhia da PM, capitão Benedito Roberto Meira, explica que a medida foi estabelecida para permitir maior fluidez do trânsito e evitar a parada de veículos e pessoas na via. “O que causa transtorno é exatamente as pessoas que estacionam os carros, ficam bebendo cerveja e provocando desordem. Tirando estas opções, você elimina o problema. Mas as pessoas não estão impedidas de freqüentar a avenidaâ€, afirma.
Meira comenta que o resultado final sobre a proibição só poderá ser discutido após hoje à noite. “Isto porque o dia mais movimentado é mesmo o domingo à tarde. Estamos fazendo um experimento nesta semana. Se percebermos que não surgiu nenhum efeito e, em contrapartida, está prejudicando os comerciantes, é óbvio que entraremos em acordo com a Emdurb para retirar as placas e revogar a medidaâ€, diz o capitão.
Opiniões divididas
Maria Aparecida Parron, que é funcionária de uma pizzaria na quadra 10 da avenida, comenta que o movimento na noite de sexta-feira foi um pouco abaixo do comum. Ela observa que os clientes só se queixaram da necessidade de tirar os carros que estavam estacionados antes das 23h. “Muitos tiveram que sair correndo para tirar os carros. Como era sexta-feira, alguns clientes chegam mais tarde. Os que chegaram por volta de 22h, ou fecharam a conta correndo ou tiveram de sair e procurar outro lugar para estacionarâ€, diz.
Segundo ela, na avenida não houve nenhum sinal de tumulto ou aglomeração de jovens. “Não teve aquela movimentação de sempre. Os principais problemas são as brigas, os carros com som alto e os adolescentes que ficam bebendo. Acho que vale a pena tentar a proibição (de estacionar), porque de certa forma inibe o pessoal de aprontarâ€, diz a funcionária.
Na opinião de Fernando Moinhos, que é proprietário de um bar na quadra 11 da Getúlio, a medida não teve nenhum efeito positivo. Ele comenta que o fluxo de pessoas à pé nas calçadas e mesmo na rua foi muito grande, causando tumulto e atrapalhando o trânsito.
“Além disso, o tráfego do pessoal que passa de carro pela avenida foi intenso como todos os finais de semana. Isto não reduziu em nadaâ€, diz.
Moinhos observa que as pessoas que normalmente estacionariam seus veículos ao longo da avenida foram obrigadas a estacionar nas ruas paralelas e transversais, o que também provocou grande movimento e confusão. “E como estas ruas são escuras, a gente sabe que isto vai facilitar o arrombamento dos carros e roubo de rádiosâ€, aponta.
De acordo com o capitão Meira, não foram registrados problemas de roubos ou veículos arrombados na sexta-feira. Ele garante que alguns policiais são especialmente destacados para circular pelas ruas adjacentes da avenida, justamente para evitar que veículos sejam roubados.
“O veículo é alvo se o local é ermo, quando está abandonado. Não vejo este tipo de problemas nesta região. Há viaturas destinadas para passar pelas ruas transversais, pois as apreensões de entorpecente os pixadores estão sempre nestes locaisâ€, afirma Meira.