Tribuna do Leitor

LIXO ELETRÔNICO


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Nunca tivemos no Brasil tantas emissoras de televisão transmitindo simultaneamente imagens para todo o nosso imenso país, sem contar os canais pagos ou por assinaturas. Entretanto, nunca tivemos tão poucas opções à frente da telinha como nos tempos atuais. O nosso maior amigo é o controle remoto que fica vermelho de tanto que é usado nas noites e madrugadas.

Não se trata de impor censura, mas seria importante uma reflexão profunda sobre qual programação a sociedade brasileira quer e para quem e em quais horários ela deverá ser exibida. Claro que temos a opção de desligarmos ou quem sabe sequer ligarmos o aparelho, mas a melhor solução seria a melhoria da qualidade da programação sem o comprometimento do lazer e da diversão gratuita ao povo.

Há quanto tempo não vemos um bom show na TV aberta? Há quanto tempo não assistimos a um grande espetáculo ? Um bom filme em horário compatível para aqueles que ainda tem emprego e, portanto, acordam cedo no dia seguinte? Nem o futebol escapa da mediocridade, pois a Rede Globo, que é a detentora de todos os campeonatos e competições, passa o que lhe interessa e não o que o povo quer ver.

As novelas brasileiras têm um conteúdo pernicioso, vulgar, com diálogos fracos e estórias fora da grande realidade do nosso cotidiano. A vida aqui fora quer queiram ou não as redes de televisão é muito diferente do que os autores querem nos fazer acreditar.

A qualidade técnica da televisão brasileira é indiscutível, mas as grandes redes se perderam na escolha de suas grades de programação, que ficaram reféns dos índices de ibope. Não importa o conteúdo nem o que vai ser veiculado, dane-se a moral e os bons costumes, o que vale são os índices percentuais medidos por aparelhos dos institutos especializados.

As direções dessas emissoras se esquecem que vivemos num imenso país com profundas diferenças sociais, culturais, econômico-financeiras e com características regionais que precisam ser respeitadas. De que adianta a sociedade se preocupar em não veicular propagandas de cigarros e bebidas se no mesmo horário as famílias são agredidas com palavras de baixo calão, pornografia e tantas outras improbidades que agridem as famílias em seus lares.

Não sou nem nunca fui conservador, mas assistir programas apresentados por Marcia’s, Luciana’s, Gugu’s, Malandro’s, Gilberto’s e Adrianes é um exercício de mutilação do nosso vernáculo e de nossa paciência. Sem contar os programas jornalísticos que ficam horas a fio falando do mesmo assunto enquanto o sangue escorre pela telinha de nossos televisores.

E o pior é que por falta absoluta de criatividade e inteligência uma emissora lança um péssimo programa que depois é imitado pelas redes concorrentes, dando espaço no mesmo horário a um festival de banalidades e futilidades sem igual. Basta você observar a programação nos períodos da manhã, tarde e noite e verá na tela a mesmice com roupagem diferente para o mesmo figurino medíocre. (Rafael Moia Filho - RG 6711407-6)

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