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Conta pública põe Bauru em 27º no Ieme

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 5 min

Um ranking elaborado pelo Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme) com base em indicadores de desenvolvimento econômicos, sociais, políticos e de segurança pública coloca Bauru em 27º lugar entre os 55 maiores municípios do Estado, posição que poderia ser bem melhor caso a cidade não tivesse ficado em 42º lugar no Índice de Eficiência Municipal (IEM), um dos quatro quesitos levados em consideração.

Ao longo do ano, o Ieme divulgou os índices de Desenvolvimento Equilibrado do Estado (IDEE), de Desenvolvimento Social (IDS) e de Criminalidade (IC), além do IEM. Cada um deles teve um peso diferente na hora de calcular o Índice Geral de Competitividade (IGC). Os dados são referentes a 2002.

Apesar da 42ª colocação no IEM, Bauru ficou em 27º lugar no IGC graças a melhores resultados nos outros três índices. A cidade foi a 12ª melhor no IDS, 13ª no IC e 15ª no IDEE. No geral, porém, ficou atrás de municípios como Botucatu (11º), Araraquara (16º), Ribeirão Preto (19º) e São Carlos (22º). Marília aparece em 32º.

Para o economista Carlos Roberto Sette, o desempenho ruim do município no IEM, que avalia o valor arrecadado com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e os gastos com funcionalismo público e Legislativo, é um sinal de que Bauru precisa evoluir em planejamento. “Esse indicador demonstra que, de alguma forma, outras cidades têm um estilo de gestão mais moderno nessas áreas”, diz.

A crítica é compartilhada pelo também economista Reinaldo Cafeo. “O que eu percebo na gestão municipal é que ela se deixa levar pela natureza. Aquilo que for possível, se faz, o que não é, se adia”, afirma.

Ele cita, por exemplo, a falta de revisão na planilha de valores do IPTU. “À medida que você tem distorsões com relação à planta genérica da cidade, as pessoas que se sentem prejudicadas acabam buscando o seu direito na Justiça. Entendo que isso é legítimo, porque se você tem um imóvel no Centro com valor venal de R$ 700 mil, mas na prática ele vale R$ 200 mil, é evidente que há um espaço para questionamento”, diz.

O chefe de Gabinete da prefeitura, Antônio Sérgio Marsola, reconhece a necessidade de atualizar o IPTU, mas se justifica. “Bauru é uma das cidades com o seu porte que está muito defasada em relação ao imposto, porque há praticamente dez anos não se faz uma revisão de planta genérica. Tentamos, nesta administração, fazer a atualização de valores, mas não tivemos aprovação da Câmara Municipal e decidimos aguardar outro momento”, declara.

Cafeo também acredita que os governantes municipais deveriam promover um intercâmbio de informações com outras cidades. “Temos que parar de ter orgulho e olhar ao nosso redor. Quando um município como Bauru não tem metas, sequer consegue comparar com aqueles que estão praticando uma gestão melhor que a nossa. É preciso montar comitivas para verificar o que eles estão fazendo melhor do que nós”, opina.

Já Marsola alerta que o desempenho de Bauru no IEM poderia ser até pior se a atual administração não tivesse cortado gastos. “Quando o prefeito Nilson Costa (PTB) assumiu, estávamos com 61% de despesas com pessoal. Hoje, estamos com 48,5%”, revela o chefe de Gabinete da prefeitura.

Desempenho

O economista Carlos Roberto Sette afirma que a 15ª colocação obtida por Bauru no Índice de Desenvolvimento Equilibrado do Estado (IDEE) pode ser considerada satisfatória. “Não estamos tão mal assim, principalmente pela conjuntura econômica que o País vem atravessando desde a crise de energia elétrica, em 2001. Isso acaba impactando nos municípios”, declara.

Para a secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Martin Tendolo, o 12º lugar do município no Índice de Desenvolvimento Social (IDS) é fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido no setor. “Bauru tem excelentes programas de desenvolvimento na área social, que conseguem abranger todas as idades”, diz.

Ela cita o programa Nutre Bebê, que atende a 1.000 recém nascidos, e os três Núcleos de Apoio Sócio-Familiar (NAFs), que trabalham com geração de renda, como exemplos a serem seguidos.

O economista Reinaldo Cafeo lembra, porém, que a cidade tem registrado um crescimento na desigualdade social, como demonstrou uma pesquisa recente da Instituição Toledo de Ensino (ITE). “Se você olhar o conjunto da cidade, podemos até estarmos melhor do que outras, mas quando colocamos uma lupa, essas desigualdades entre as diferentes regiões do município são muito acentuadas. Não podemos dizer que estamos tranquilos”, opina.

O presidente da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social (Aeaps) de Bauru, Paulo Sérgio Canalli, acredita que o IDS não pode ser analisado de maneira isolada. “Estamos atrelados ao desenvolvimento econômico e à eficiência municipal. Se você tem uma cidade estagnada, que não gera empregos e receitas, também tem um desenvolvimento social ruim”, comenta.

Sobre a 13ª colocação de Bauru no Índice de Criminalidade (IC), o delegado Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, afirma que o desempenho reflete a queda que vem sendo verificada no número de homicídios, furtos e roubos que ocorrem na cidade. “Temos esclarecido a maioria dos homicídios e prendendo várias quadrilhas”, diz.

Ele lamenta, porém, não poder contar com um número maior de policiais. “O principal problema da Polícia Civil é a quantidade de pessoal, que está muito aquém do que precisaríamos”, revela.

O sub-comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Pedro Batista Lamoso, diz que os homicídios têm sido a grande preocupação da corporação. “Temos feito diversas operações em bares que ficam em áreas geográficas de alto risco e procurado promover o desarmamento”, diz.

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