Tribuna do Leitor

"Matando a própria cria"


| Tempo de leitura: 3 min

Quem ler o livro “O Príncipe”, de Maquiavel, saberá que o caminho mais eficaz de manutenção do poder é financiar a criação de um inimigo que sirva aos propósitos políticos momentâneos, deixar com que ele crie asas e desenvolva o seu próprio poder, aí então, quando ele já não servir para o objetivo inicial, se deve destruí-lo, e então tornar-se o “grande herói que livrou o povo do grande monstro”. Dessa maneira, o poder continuará plenamente mantido, sem que os dominados percebam que os próprios “heróis” que destruíram o inimigo o criaram para servir aos seus propósitos egocêntricos. Dessa obra de Maquiavel é que surgiu o termo “maquiavélico”.

Se analisarmos os polêmicos personagens “Saddam Hussein e Ossama Bin Laden”, concluiremos que a tão falada política maquiavélica foi aplicada. No final da década de 60 e no início da década de 70, os Estados Unidos, hoje inimigos do “ditador” iraquiano Saddam Hussein, financiaram o futuro “ditador”, para que ele expulsasse do Iraque os “fantasmas” do comunismo, pois, na época, os “comunistas” eram a principal ameaça ao poder norte-americano. Em 1980, Ronald Reagan era inimigo dos líderes iranianos, por isso financiou os ataques de Hussein ao Irã. Porém, em 1991, Hussein criou asas e invadiu o Kuwait, que já eram na época protegidos dos Estados Unidos, devido a suas diversas riquezas minerais. “George Bush Father” organizou um verdadeiro show de luzes e cores, que pareceu mais uma produção de Hollywood e expulsou seu ex-aliado através da “Guerra do Golfo - Parte I”. Mais de dez anos depois, através do segundo filme da série, “Guerra do Golfo - Parte II”, o então filhinho de papai “George Bush Son” invadiu o país do ex-amigo e tomou o poder, livrando o povo Iraquiano do “monstro” Saddam Hussein, fazendo com que a maioria dos iraquianos acreditem que os Estados Unidos são os heróis que irão restabelecer a paz no Oriente Médio. Agora em relação à outra atual figura polêmica que é Osama Bin Laden, a história diz que o Estados Unidos se aliou a ele, quando a Rússia invadiu o Paquistão. Osama Bin Laden serviu aos propósitos norte-americanos e ajudou as expulsar os ex-inimigos russos das terras paquistanesas. Porém, depois do episódio das torres do World Trade Center, Osama Bin Laden tornou-se mais um ex-amigo dos Estados Unidos e eles o passaram a perseguir e até invadiram o Paquistão, país que eles próprios haviam protegido dos russos com a ajuda de Bin Laden.

Com certeza, todos os governantes norte-americanos conhecem a obra “O Príncipe” de Maquiavel de ponta a ponta, e sabem como aplicar com êxito a política de manutenção de poder proposta pelo filósofo, que alguns outros filósofos políticos costumam chamar de falso paternalismo. Ninguém discute que Saddam Hussein e Osama Bin Laden devem ser presos e condenados pelas barbaridades que já cometeram, porém, quem irá punir os verdadeiros responsáveis pelo surgimento de tais monstros? Quem irá pagar pela vida de pessoas que foram executadas e nem sequer comunistas eram? Quem irá pagar pelas doenças sociais causadas pelos depravados comportamentos “ditados” através da “indústria cultural”? Quem irá pagar pela quase extinção dos valores familiares? Quem irá ser julgado pela propaganda incentivando o consumo de drogas e álcool da juventude, fomentando o surgimento de uma verdadeira indústria criminosa que é o tráfico internacional de drogas? Quem irá pagar pela vida dos soldados e milhares de pessoas mortas em combates? Quem irá pagar pela difamação mundial da cultura muçulmana? Quem irá pagar pela vida de muitos mexicanos que foram mortos por invadir a terra que de direito lhes pertenceria? São questões que têm resposta, mas infelizmente essas respostas jamais farão com que se estabeleça a verdadeira justiça. O que nos resta fazer é analisar imparcialmente os acontecimentos, conhecendo assim suas verdadeiras causas e propósitos, chegando então a uma conclusão justa e não alienada em relação aos fatos atuais e históricos.

Cristiano Rodrigues Ruiz

Comentários

Comentários