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Polícia inutiliza 21 mil CDs pirateados

Diego Molina
| Tempo de leitura: 5 min

Mais de 21 mil CDs e 2.448 fitas K7 pirateados apreendidos em operações realizadas pela Polícia Civil em 2001, 2002 e neste ano, foram inutilizados ontem no 3º Distrito Policial (DP). A ação foi acompanhada pelo diretor-geral da Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (Apdif), Valdemar Gomes Ribeiro, e o diretor jurídico da entidade, Jorge Eduardo Grahl. Atualmente segundo eles, a pirataria no Brasil já tomou cerca de 59% do mercado fonográfico.

O delegado Marcelo Haddad, titular do 3º DP, explica que a inutilização dos discos e fitas foi realizada com autorização judicial. “Estes CDs e fitas foram apreendidos em camelôs, quando estavam expostos para venda, e em depósitos. Ainda temos mais quatro lotes, num total de 8.500 CDs e 1.000 fitas, que aguardam autorização judicial para serem destruídos”, diz.

Ontem, os discos e fitas foram apenas inutilizados, danificados com uma serra. Antônio Uccella, proprietário de uma empresa que compra o material e realiza a reciclagem, explica que destruir os CDs não é atitude mais recomendada.

“Não pode moer tudo junto, porque aquilo acaba virando lixo. Aqui, fazemos uma pré-destruição, para posteriormente ser feita a separação dos materiais (plástico, papel e o CD) e a moagem”, esclarece.

Segundo ele, o disco em si é o menos aproveitado na reciclagem, sendo útil apenas na produção de cabides. “A caixinha é o material mais nobre. É poliestireno, que pode virar régua, canetas, copos. Se você simplesmente passa um rolo compressor por cima e joga em um aterro sanitário, aquilo demora mais de 400 anos para se decompor”, observa Uccella.

Segundo o diretor da Apdif, Valdemar Gomes Ribeiro, a pirataria de CDs no Brasil já tomou cerca de 59% do mercado fonográfico. Atualmente, o preço de um disco original varia de R$ 9,90 a R$ 35,00, no caso de lançamentos, enquanto é possível encontrar camelôs que vendem três pirateados por R$ 10,00.

“Se você acha que o preço do CD é caro, eu posso lhe dizer que o preço de produção de um CD original é muito alto. Só de impostos são 18%, mais 11% de direitos autorais e 10% de direitos intelectuais, mais 15% da produção e 3% de logística, e ainda tem que se fazer o marketing do artista”, rebate Ribeiro.

O diretor da Apdif afirma que as gravadoras realizam grandes investimentos para que os músicos sejam aceitos pela população, e o custo do marketing também seria alto. “O pirateado não tem isto. Ele compra o CD-R (CD virgem) a R$ 0,60, gasta mais R$ 0,20 centavos na produção e coloca na praça a R$ 3,00. O lucro para ele é líquido, enquanto as gravadoras sofrem uma série de outros custos”, justifica.

Neste ano, artistas como Skank, Titãs e Zezé di Camargo & Luciano, entre outros, tiveram seus discos ao alcance dos fãs nos camelôs antes mesmo das lojas receberem os CDs. Na opinião de Ribeiro, isto ocorre porque em algum momento da produção ou do armazenamento dos discos antes do lançamento, algumas cópias foram roubadas. Ele descarta o envolvimento das próprias gravadoras na pirataria.

“Depois do músico gravar no estúdio, uma fita é produzida, masterizada em outro estúdio e depois vai para a fábrica. O disco passa por várias mãos neste processo e sempre há a possibilidade de vazamento de uma cópia”, afirma Ribeiro.

O diretor jurídico da Apdif observa que cargas de CDs também são muito visadas por quadrilhas. “Os CDs ficam armazenados, aguardando lançamento. Já aconteceu de roubarem cópias, como ocorreu com os Titãs neste ano”, afirma Grahl.

Ribeiro lembra que realizar cópias caseiras de CDs originais também é ilegal. “Copiar um disco que você comprou e dar para um amigo também é pirataria”, declara.

A pena para a pirataria varia de dois a quatro anos de detenção mais multa. A compra de CDs piratas também pode ser enquadrada como receptação, com pena de um a quatro anos.

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Guerra contra a falsificação

A Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (Apdif) tenta combater a pirataria de CDs no Brasil em quatro frentes diferentes. De acordo com o diretor-geral do órgão, Valdemar Gomes Ribeiro, a primeira ação é no controle dos CD-Rs (CDs virgens) que são importados da Ásia para o Paraguai, e que entram no Brasil como contrabando.

“O Paraguai importa milhares de milhões de CDs, e um de nossos trabalhos é com as autoridades da Receita Federal e a Polícia Federal (PF), para dificultar a entrada no Brasil”, explica.

A Apdif também age na localização de laboratórios e fábricas clandestinas onde os CDs pirateados são produzidos, e ainda na localização dos depósitos, que se localizam normalmente próximos a grandes cidades, consumidoras dos CDs.

“A nossa quarta ação é o combate na rua, na tentativa de tirar os camelôs que vendem CDs pirateados. O camelô é um escravo nas mãos das máfias da pirataria, eles ganham uma miséria”, diz Ribeiro.

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Você compra CD pirateado?

De um lado, os consumidores e fãs que querem adquirir os discos de seus ídolos. De outro, as gravadoras que cobram, em média, R$ 26,00 por um CD de lançamento.

O JC foi às ruas para saber qual a opinião da população sobre este assunto. Confira abaixo:

Não compro porque não toca no meu rádio. Eu prefiro comprar o original. Tatiane Cristina Faria da Silva, estudante

Não compro porque acho de péssima qualidade. E acho que você deve comprar o CD original porque você ajuda a carreira da pessoa. Como eu sonho em ter uma carreira artística, não quero prejudicar meus amigos. Márcio de Oliveira, professor de aeróbica

Não compro para não incentivar mais a pirataria. Quando se trata de um artista que eu gosto, ou eu pego (as músicas) na Internet ou eu compro o CD original. Anderson Pereira, representante comercial

Não, porque não funciona legal. Os que eu ganhei, só tocaram por pouco tempo. Principalmente no carro, eles sempre enroscam. Se um CD lançamento está caro, eu espero para comprar depois, em alguma promoção.Zilda Duarte, professora

Já comprei e me dei mal. O CD não toca, pára e pula a música. Quando é um artista que eu gosto, prefiro comprar o CD original. Rita de Cássia Alves da Silva, secretária

Não compro, nem CD pirata nem original, por falta de dinheiro. Se eu fosse comprar um CD, eu gostaria de ter o original, mas como o preço é alto, eu não compro. Lígia Cardoso Sena e Silva, dona de casa

Compro de vez em quando. O CD original é muito caro. Eu só compro CD original de artista que eu gosto muito. Rodrigo dos Santos, repositor

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