A Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) pretende anunciar no início do próximo ano um amplo programa de parcerias com instituições privadas e Organizações Não Governamentais (ONGs) para gerir os projetos pedagógicos das unidades de internação, entre elas a de Bauru. A informação foi confirmada ontem pelo assessor de parcerias da entidade, Paulo Freixo.
Ele afirma que ainda não pode revelar com quais instituições e ONGs do município está negociando, mas garante que os contatos estão adiantados. “Pelo que a gente tem observado, Bauru é uma cidade em que a sociedade é bastante mobilizada e articulada. Acredito que seja difícil a gente não conseguir um respaldo para essa questão do adolescente autor de ato infracional”, comenta.
Freixo explica como funcionariam as parcerias. “Temos feito contatos com aqueles que possam desenvolver um trabalho pedagógico dentro da Febem no que tange à prática esportiva e desenvolvimento de atividades de cultura, escolarização e, principalmente, de profissionalização, para fazer com que o caminho do adolescente, ao retornar para a sociedade, seja menos conturbado e mais eficiente”, declara.
Para ele, essa também seria uma maneira da sociedade contribuir com a recuperação do menor infrator. “Uma instituição que é tão questionada quanto a Febem, e até com uma certa razão, precisa mais do que nunca da participação efetiva da comunidade para promover mudanças nesse quadro complexo”, opina.
O assessor de parcerias acredita que essa união de forças também ajudará a evitar que os internos se tornem reincidentes. “Sem isso, fica mais difícil, porque o adolescente que cumpre medidas socioeducativas na Febem é oriundo da sociedade e voltará para ela. Se ela mesma não fizer esse caminho ser mais suave e menos abrupto, teremos um quadro complicado”, diz.
Custos
Paulo Freixo revela que as instituições e ONGs que aderirem às parcerias não precisarão, necessariamente, arcar com parte das despesas geradas pelas atividades que serão desenvolvidas. “Cada projeto tem uma especificidade. Há alguns que são bancados pelas instituições e outros que são auto-sustentáveis”, afirma.
Ele lembra que algumas iniciativas já estão sendo realizadas no Estado. “Temos algumas instituições que desenvolvem alguns trabalhos pontuais dentro de unidades como Ribeirão Preto, São Paulo e Araraquara, mas de maneira mais sistemática isso ainda é inédito”, diz.