Tribuna do Leitor

Educação: sucateamento e ilhas de excelência


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Também não pretendo polemizar com o professor Razera que, respeitoso e elegante, ao responder minha carta recentemente dá demonstração inequívoca de que vale a pena, pelo debate, buscar o ponto de equilíbrio e de entendimento para chegarmos à síntese necessária. Oxalá todos os debates tivessem essa característica. Como educadores, nossa atitude não poderia ser outra. As duas realidades por nós abordadas existem e convivem no interior do sistema de ensino: o sucateamento e as ilhas de excelência. O professor enumera multiplicidade de ações que dignificam e qualificam o trabalho da Secretaria de Educação. Porém, é preciso diminuir a primeira e multiplicar a segunda. Este é o desafio que se coloca, hoje, para professores, alunos, pais, entidades de classe, governo e todos quantos estão empenhados na Educação. Esta situação exige determinação política explícita pelo ensino público, cujo impacto se traduza em ações de grande porte e abrangentes. A escola pública é o derradeiro espaço institucional de atendimento aos jovens oriundos das camadas populares. É nela que estes jovens concluem o ensino médio e não conseguem, com raras exceções, uma vaga na universidade pública, cujo acesso é altamente seletivo. No mercado de trabalho o jovem não consegue serviço eis que a escola não está preparada para tornar o jovem apto a ingressar no mercado cada vez mais exigente. É ali que ele curte o seu dia-a-dia, entre a angústia e a esperança. Entre o medo e o sonho. Como professor militante, acredito no Estado e não perco a esperança nas suas políticas públicas e nos seus agentes, mesmo operando com escassez de recursos, diante da demanda crescente dos problemas e desafios que se apresentam a cada dia, por uma população excluída, carente, desprotegida, faminta e doente. Além da esperança que nos move, não abrimos mão da nossa utopia e da nossa luta em busca de uma sociedade que alhures, alguém já afirmou, deva ser “socialmente solidária, economicamente justa, politicamente democrática e culturalmente plural”.

Isaias Daibem - RG 5.250.303

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