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Saber agir em acidentes salva vidas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Entre as inúmeras situações de emergência que podem ocorrer quando se está ao volante, duas são especialmente ruins. A primeira, e pior delas, é protagonizar um acidente. Já a outra, igualmente perigosa e dramática, é presenciar o exato momento que ele acontece. Nestas horas desagradáveis, saber como proceder é fundamental para garantir sua própria segurança e de todos os que de alguma maneira envolveram-se.

Aprender a agir nestas ocasiões depende muito do ambiente em que elas se realizaram - cidade ou estrada - e do estado de saúde das vítimas. “Diferenciar onde os acidentes ocorreram e se há pessoas seriamente feridas é fundamental para conhecer as providências”, considera o sargento Antonio Carlos Rodrigues, da 4ª Companhia de Trânsito de Bauru.

Apesar disso, e independente do local e gravidade das vítimas, há procedimentos comuns a serem tomados em qualquer acidente. Manter a calma é o primeiro passo. “É difícil, mas ter autocontrole ajuda demais. Não adianta nada resolver o problema de forma violenta, brigando com os outros. Isso só complica”, afirma Rodrigues.

Sinalizar as imediações do acidente com um triângulo de segurança, alertar os outros motoristas com sinais constantes de faróis e verificar vazamentos de combustível são os demais cuidados a serem seguidos. “É importante isolar o local e, se necessário, desconectar o cabo da bateria e jogar água ou areia para diminuir o risco de explosão”, orienta.

Só depois de observadas estas precauções, conforme Rodrigues, é que a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros devem ser acionados. “Se estes procedimentos fossem seguidos sempre, o trabalho de socorro às vítimas graves ou nas ocorrências mais leves por parte das autoridades competentes seria facilitado”, ressalta.

Evitar a curiosidade na direção também é questão de segurança. “Ao querer olhar o que aconteceu, o motorista se distrai e aumenta a probabilidade de provocar outro acidente, agravando a situação”, destaca o sargento. “Mas não quer dizer também que a pessoa deve virar o rosto e fingir que não está vendo nada. Até porque omissão de socorro é crime”, complementa Rodrigues.

Por isso, o sargento recomenda que, ao visualizar um acidente, o condutor deve estacionar seu veículo em local seguro e, em caso de uma ocorrência sem vítimas graves, evitar conversar com os motoristas envolvidos. “Dar palpite sobre quem estava certo ou errado só atrapalha, pois acaba exaltando ainda mais os ânimos e gera até brigas. Já vi isso acontecer várias vezes”, adverte.

Para o policial, há hora certa para se falar: durante a elaboração do boletim de ocorrência. “Quem testemunhar um acidente deve estar sempre disposto a ajudar não apenas no calor do momento, mas também oferecer-se como testemunha posteriormente. É questão de cidadania”, considera o sargento.

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Curioso leva multa na estrada

Envolver-se ou avistar um acidente na estrada é tão preocupante quanto em um ambiente urbano. Entretanto, em uma rodovia a preocupação com a segurança deve ser redobrada, uma vez que as médias horárias de velocidades são muito maiores que nas ruas de uma cidade.

O tenente Wanderlei de Andrade Júnior, da Polícia Rodoviária de Bauru, ressalta que em um acidente sem vítimas a prioridade número um é retirar os veículos da pista de rolamento e liberar o trânsito. “Neste caso, não há necessidade de se preservar o local, pois o policial, pelos danos e sua visão técnica, terá condições de colher os depoimentos e ver quem estava certo ou errado”, afirma.

Depois disso, deve-se sinalizar o lugar com o triângulo ou pisca-alerta e, imediatamente, acionar a Polícia Rodoviária. “Nossa presença é necessária em qualquer ocorrência, a não ser que os próprios envolvidos entrem em acordo e resolvam a questão por ali mesmo”, enfatiza Wanderlei.

Já em uma ocorrência com vítimas, a primeira providência é não mexer nos veículos acidentados. “Só o policial rodoviário tem autoridade para removê-los do local onde estão. Entretanto, se estiverem pondo em risco a segurança dos demais usuários da estrada, é fundamental que sejam retirados da pista. Somente isto justifica tal ação”, orienta o tenente.

Já para os que presenciaram um acidente destas proporções, a principal recomendação é checar o estado de consciência das vítimas. “É fundamental que a pessoa verifique os sinais vitais do acidentado, procurando conversar com ele. Só depois é que se deve avisar a Polícia e os Bombeiros”, ensina Wanderlei.

Em ambas as situações, o tenente recomenda que as autoridades devem ser acionadas através do número de telefone mais acessível no momento. “Se ele não souber o da base da Polícia Rodoviária, pode ligar para a concessionária de uma rodovia, no caso desta ser pedagiada, ou mesmo para o 190 da Polícia Militar, que se encarregarão de nos comunicar”, frisa.

Nesta hora, acrescenta Wanderlei, é essencial informar a maior quantidade possível de dados sobre a ocorrência e, principalmente, das vítimas. “Dizer se elas estão presas nas ferragens e seu estado de consciência são informações preciosas, pois facilitam o encaminhamento de viaturas com equipamentos especializados no atendimento destes acidentes”, enfatiza.

E para os curiosos um alerta. O tenente afirma que estes podem até ser multados se forem surpreendidos parados no acostamento observando o acidente. “A lei, no inciso VII do artigo 181 do Código de Trânsito, é clara. O acostamento só pode ser utilizado em situações de emergência. Fora isso, o motorista estará sujeito a autuação”, adverte Wanderlei.

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