Polícia

Menores destróem enfermaria da Febem

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Os internos da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru fizeram mais uma rebelião no final da tarde de ontem, mantendo cerca de 14 funcionários como reféns. No meio do tumulto, eles destruíram a enfermaria da unidade e se armaram com facas e pedaços de metal. Cerca de sessenta e seis menores estavam na unidade no momento.

A Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) precisou invadir a instituição para retirar os reféns e acalmar os rebelados. As negociações duraram aproximadamente três horas.

De acordo com os primeiros funcionários liberados, o tumulto começou de repente. “Eu estava sentada do lado de fora da enfermaria, quando eles gritaram ‘já era’ e pularam em cima da gente”, disse uma das servidoras, que preferiu não se identificar.

Segundo outra funcionária, os menores exigiram a presença do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer. “Eles diziam que queriam sair para comemorar o Natal”, conta.

O juiz compareceu ao local, mas ficou o tempo todo do lado de fora, aguardando as negociações.

Cerca de 60 policiais da Tropa de Choque, do Canil e do policiamento de área ficaram do lado de fora, aguardando o diretor da instituição, Paulo Orti, negociar com os adolescentes. Ele pedia para que os meninos libertassem os reféns e voltassem para seus alojamentos, mas três deles, que estavam mais descontralados e que seriam os líderes da rebelião, insistiam em continuar com o tumulto.

De acordo com informações dos reféns, esses menores tomaram várias doses de Diazepam (medicamento usado como calmante) e ficaram fora de controle.

Por volta das 20h30, o major Manoel Messias Mello, que estava comandando a ação, deu ordem para que a PM invadisse a unidade. Aos poucos, os reféns foram liberados. Assustados, eles contaram que a situação estava muito tensa lá dentro. Alguns chegaram a ser agredidos, mas nenhum saiu ferido com gravidade.

De acordo com o major Messias, quando a polícia entrou a situação já estava sob controle. “Apenas um dos meninos estava no pátio. Os outros já estavam nos quartos, devidamente acomodados”, contou.

Na opinião dele, a operação foi tranqüila, já que a situação foi controlada através das negociações feitas entre o diretor da Febem e os menores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), Antonio Gilberto da Silva, que estava ontem em Bauru, disse que protocolou no Ministério Público da Infância e Juventude da Região de Bauru, na última sexta-feira, uma denúncia sobre a situação perigosa que estava passando a unidade de Bauru. “Nós estávamos alertando para o perigo de uma rebelião de grande porte a qualquer momento”, salientou.

Segundo ele, o quadro de funcionários da Febem de Bauru está defasado, o que poderia resultar em rebeliões a qualquer momento. “Os funcionários estão sem condições de trabalhar”, alerta.

Últimas ocorrências

A Febem de Bauru, nas proximidades do Núcleo Geisel, foi inaugurada em fevereiro de 2002 e começou a receber os adolescentes três meses depois. Sua proposta inicial era de ser uma unidade-modelo, com atividades multidisplicinares, equipe educativa e ausência de violência.

Porém, já foram registradas fugas em massa, rebeliões, motins e tumultos. Na última terça-feira, um funcionário foi ferido nas costas após discutir com um menor. Durante o desentendimento, o adolescente quebrou uma divisória do banheiro e atirou uma pedra contra o servidor.

Três dias antes, um outro menor fugiu da unidade escalando um muro da instituição com o auxílio de uma barra de ferro, enquanto outros internos jogavam vôlei.

Em três fugas anteriores, 46 menores escaparam da instituição: 11 no último dia 10 de dezembro, 19 no dia 21 de outubro e 16 no dia 1 do mesmo mês. Grande parte é reincidente.

O pior motim até ontem ocorreu em setembro, durou cerca de cinco horas e resultou em feridos e reféns. A ação só foi controlada com a intervenção da Tropa de Choque da PM.

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