Regional

Fruta combate "overdose" de carnes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Saboroso e refrescante por natureza, o abacaxi não pode faltar na ceia ‘caipira’, seja na decoração dos pratos ou em forma de sobremesa. Apreciada nos países tropicais, a fruta tem presença garantida nas mesas natalinas por seu poder coadjuvante da digestão. É da nossa região que saem os abacaxis que estão nas grandes redes de supermercados.

A safra 2003 está sendo colhida há dois meses e a previsão é de que sejam colhidas 1 milhão e 700 mil frutos da plantação mantida por Kiyosi Suzuki, no distrito Tibiriçá (15 quilômetros ao Norte de Bauru).

O poder da fruta sobre a digestão, especialmente das carnes, faz com que o abacaxi esteja presente nas mesas mais variadas. Tanto que as churrascarias ‘inventaram’ uma nova versão da fruta: o abacaxi no espeto.

Suzuki é enfático em ressaltar as qualidades da fruta. “Para amolecer as carnes mais duras, basta espremer o abacaxi sobre ela.”

Segundo ele, no final do ano o consumo de abacaxi aumenta em cerca de 50%. “Além das festas, a fruta é mais doce nessa época do ano, porque o clima é mais quente.”

Ele ensina que de maio a outubro a fruta é mais azeda. Já nos meses de novembro a fevereiro, a fruta é mais doce. Para conseguir colocar no mercado a safra 2003 com uma qualidade superior, o produtor toma vários cuidados, dentre eles, encapa o abacaxi para protegê-lo da luz solar direta.

De acordo com ele, o tipo Hawai é o mais indicado para as festas de final de ano. “A chuva é importante para dar peso ao fruto e o calor é o responsável pelo sabor adocicado.”

Júlia Shinohara, que comercializa abacaxis, explica que o tipo pérola, nesta época, fica mais aguado, enquanto o Hawai, mais doce e menos ácido. “O abacaxi é o rei das frutas. O único que tem a coroa.”

As qualidades do abacaxi são muitas, mas as que a distinguem universalmente são o alto valor dietético, comparável ao das melhores frutas tropicais.

O suco do abacaxi é um alimento energético. Um copo propicia, em média, cerca de 150 calorias ao organismo. O teor de açúcar do suco varia, em geral, em torno de 12 a 15%, dos quais aproximadamente 66% são de sacarose e 34% de açúcares redutores (glicose e frutose).

A fruta contém ainda potássio, além de magnésio e cálcio e vitamica C. É considerada um coadjuvante da digestão por conter a bromelina, uma mistura de enzimas proteolíticas (que desdobram proteínas), que em meio ácido ou alcalino ou neutro transforma matérias albuminóides em proteoses e peptomas.

Costume oriental

A lichia, fruta de origem oriental, está sendo cultivada na região e aos poucos vem incrementando a ceia natalina. Dizem os orientais que comer a fruta nas festas do final do ano é sinônimo de sorte.

Em Avaí e em Iacanga, a fruta está sendo cultivada sob a orientação do engenheiro florestal Alexandre Felipe.

A fruta de cor vermelha vibrante é considerada exótica e além de ter um sabor muito agradável serve para decorar os pratos. “A cor vermelha é uma enzima que se acentua nos países de clima quente”, explica o engenheiro.

O fruto pode ser plantado em qualquer época do ano, mas é no final do ano que os frutos podem ser colhidos, avisa Felipe. “É uma árvore que demora de 8 a 10 anos para dar frutos. Cada pé pode gerar até 100 quilos de lichia.”

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