Um buzinaço acontece na véspera de Natal no distrito de Jacuba. A confraternização coletiva é compartilhada pelos moradores, que logo após o barulho saem em carreata pela poucas ruas, comenta o morador Mauro Crepaldi.
De acordo com ele, a população de Jacuba costuma sair para a rua antes da meia noite e se cumprimentar pelo Natal. “É uma comemoração muito bonita. Todo mundo se cumprimentando e aquelas pessoas que chegam de fora se conhecem.”
Mauro Crepaldi lembra que durante os cumprimentos os moradores batem as taças e copos lotados de champagne, cerveja ou vinho.
Na cidade de Cabrália Paulista, a coincidência de datas faz com que a chegada do Natal seja ainda mais animada. É que a cidade comemora o seu aniversário no dia 24.
Este ano, Cabrália Paulista completa 54 anos de emancipação política e o município vai oferecer shows para a população, explica o prefeito, Nelson Gebara. “Vai ter um show no dia 23 e outro no dia 24, ambos no período noturno.”
O palco e as ruas centrais estavam sendo enfeitados para que a população comemore o nascimento de Jesus e o aniversário da cidade. “Vamos fazer uma festa modesta porque temos poucos recursos e tivemos que contar com o apoio da iniciativa privada.”
Como nos ‘velhos’ tempos
A rotina da casa se altera com o número de pessoas e com a alegria das crianças que chegam cheias de fôlego para brincar e curtir os atrativos das áreas rurais. São tantos os apelos que elas nem lembram dos computadores e das aulas.
Para receber os ilustres ‘netinhos’, os avós se preparam fazendo iguarias que substituem, sem sombra de dúvida, os salgadinhos que eles passaram o ano todo comendo nas grandes metrópoles.
Antes que a casa entre em ‘movimento’, a comunidade rural se prepara. A faxina caseira é o primeiro item. Afinal, o visitante tem de se sentir confortável. É preciso colocar os colchões no sol, trocar os lençóis e deixar a casa com cheiro de limpa.
Agradar o visitante pelo estômago é outra preocupação dessa comunidade. Por isso eles começam antes a preparar aquilo que será servido. Os doces em compota, bolachinhas de nata, a manteiga pura, o pão caseiro e as geléias de frutas tomam horas na cozinha, mas são itens que não podem faltar na recepção dos parentes que chegam para o Natal.
Dona Elza Coleone Estavanato, 74 anos, espera a filha e os netos que vão chegar da Capital. Somados a filha e os netos que moram em Iacanga, eles vão fazer a festa de Natal.
A faxina da casa já tinha começado na semana passada. Nesta semana, ela começa os preparativos que vão dar água na boca dos visitantes. Ela confessa que já fez muito mais e que, em função da idade, conta com a participação das filhas para preparar a ceia.
A leitoa que vai para a mesa de Natal da família, ela já não cria mais, apesar de morar em área rural. Os frangos que serão servidos com polenta ainda estão andando no quintal do sítio.
Para o tempero das carnes, ela vai colher muito limão-rosa. “É o melhor para temperar carnes.”
A cidra ainda está no pé, mas em pouco tempo estará nos vidros, em compota. A abóbora e o mamão terão o mesmo destino. “É só apanhar no pé e fazer o doce. As crianças gostam muito.”
O destino do peru criado para as festas de final de ano ainda é um incógnita para dona Elza. “Eles vieram junto com uma porção de pintinhos que eu comprei. Estou criando, mas não resolvi se vou matá-los.”
O café que será servido após as refeições, ela já colheu, torrou e mandou moer. “Ainda faço café no coador de pano e uso o bule para servir.”
O pão que vai acompanhar o café também será feito um dia antes do dia 24 para não ficar velho e conservar o sabor inigualável.
Especialista em leitoa pururuca, ela confessa que o único segredo é a escolha do animal. “Leitoas grandes não pururucam ou são difíceis de pururucarem. Eu tempero com muito limão, sal, pimenta, alho e salsinha.”