Regional

Natal 'caipira' tem itens naturais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Natal é a festa que simboliza a união da família. No Interior, esses laços são ainda mais fortes. E nesta época do ano é comum os parentes chegarem de todos os cantos para passar as festas na fazenda. Para receber a família, amigos e namorados, todos se preparam com antecedência.

Os doces em compota, a leitoa e o frango caipira são pratos que não faltam na mesa daqueles que conservam os costumes rurais.

O Natal da comunidade rural começa com a Missa do Galo, que tem presença garantida dos fiéis. Grande parte dessa população participa da novena natalina, que termina no dia 24. Os participantes encerram a reza com café e pão caseiro.

O segredo da comida ‘caipira’ está na escolha dos itens que compõem as receitas. Confeccionados com ingredientes naturais, tipo ovo da galinha criada no quintal, doce de abóbora, mamão e cidra colhidas na propriedade, dão um toque pessoal e inigualável à ceia e almoço de Natal.

As frutas, verduras e legumes cultivadas no campo fazem parte da ceia, assim como a carne dos animais e aves criados na propriedade. Em Lençóis Paulista (43 quilômetros ao Sul de Bauru), Arcides Casagrande cultivou uvas e preparou o vinho para a festa do dia 24.

Em Tibiriçá (19 quilômetros ao Norte de Bauru), Kiyosi Suziki cultivou o abacaxi que vai ajudar na digestão da ‘overdose’ de carnes. A lichia foi cultivada em Avaí. Em Jacuba (27 quilômetros a Nordeste de Bauru), a família Crepaldi criou os frangos caipiras e as leitoas. Os carneiros que vão fazer parte da ‘comilança’ foram criados em Arealva (39 quilômetros a Nordeste de Bauru). O peru, que ainda está em pé, foi encontrado no bairro de Ribeirãozinho, próximo de Iacanga (45 quilômetros a Nordeste de Bauru).

Segredos da cozinha

Na cozinha caipira o tempero é o segredo da boa comida. Uma mistura de várias ervas cultivadas no quintal, com sal e pimenta no ponto, garantem o sabor do campo.

José Campos Penteado, 70 anos, 30 deles dedicados à cozinha, ensina alguns de seus segredos para o preparo da leitoa do Natal. Morador de Arealva (a 41 quilômetros ao Norte de Bauru), ele prepara todo ano a carne de porco que estará presente na ceia de muita gente da região.

Para o cozinheiro, a leitoa não deve pesar mais de sete quilos e ser limpa com todo esmero. “Eu limpo o animal bem limpinho. Depois, furo com uma faca o corpo da leitoa e deixo por um dia, mergulhada em limão, sal, pimenta e alho espremido.”

No dia seguinte, ele faz a farofa com farinha de mandioca tipo biju, muita azeitona verde picada, milho verde refogado no caldo de carne, ervilha, cheiro verde, salsa e baycon frito. “Recheio a leitoa e prendo com palito de dente. Enrolo em papel alumínio.”

A colocação no forno deve ser feita sobre uma grelha para garantir que a gordura excedente, seja expelida com o calor. “Coloco a leitoa sobre a grelha com uma forma de bolo embaixo.” Nesta posição por cerca de duas horas, a leitoa fica sequinha. “Eu tiro o papel alumínio e deixo dourar e pururucar.”

De acordo com ele, nem todas as leitoas pururucam. “Ao escolher a leitoa, eu sei se ela vai pururucar ou não. Tem algumas que não pururucam mesmo”, avisa.

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