O presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Renato Purini (PMDB), acredita que mesmo com todos os contratempos registrados na Casa durante o decorrer deste ano, ao final a instituição acumulou um saldo político e administrativo positivo.
Na avaliação dele, o plenário do Poder Legislativo soube dar as respostas necessárias e na hora certa para as denúncias de irregularidades envolvendo funcionários e vereadores. Ele não discorda que houve desgaste junto à opinião pública, mas analisa que a sociedade também reconheceu as decisões que foram tomadas para resguardar a ética e a moral da instituição.
Purini ressalta, ainda, os avanços de sua gestão, iniciada em janeiro deste ano. Comenta sobre a regulamentação do uso de veículos oficiais, de viagens e diárias de funcionários em deslocamento. Destaca a devolução de mais de R$ 1 milhão aos cofres da prefeitura por conta da racionalização dos serviços da Casa. A seguir, a entrevista com o presidente da Câmara Municipal.
Jornal da Cidade – Em janeiro deste ano, o senhor assumiu a presidência da Câmara Municipal num clima bastante conturbado. Os seus planos frente à condução da Casa foram viabilizados no transcorrer do ano? Renato Purini – Administrativamente atingimos a meta. Mudamos alguns procedimentos que entendíamos falho e que deram brechas para todos os problemas que aconteceram. Conseguimos, dentro desta intenção, implantar uma política de transparência na Câmara. Acho que as pessoas entenderam que o Poder Legislativo mudou a partir do início desta atual gestão. Hoje, as pessoas têm mais confiança. Tudo isso vai culminar com a devolução de mais de R$ 1 milhão aos cofres da prefeitura.
JC – Quais foram as alterações mais importantes que o senhor implantou na Câmara, a partir do início de sua gestão, em janeiro? Purini – Nosso primeiro ato foi paralisar as compras e as contratações para vermos o que tinha em andamento e os procedimentos que eram viáveis ou não. Deixamos de pagar nossos fornecedores com cheques. Só pagamos com depósito bancário em duas datas do mês: 5 e 15. Adotamos o pregão eletrônico, criamos uma comissão específica para fiscalizar e analisar as compras. Não preenchemos cargos de confiança lotados no Gabinete da presidência. Isso proporcionou uma economia anual de R$ 200 mil. Reduzimos nossa frota de veículos. No início do ano, doamos três carros à prefeitura. Vamos, agora, encaminhar mais dois. É mais economia em combustível e em manutenção. Regulamentamos a utilização dos veículos e obtivemos uma boa economia com essa normatização.
JC – O Poder Legislativo viveu uma situação muito difícil no primeiro semestre deste ano. Dois vereadores tiveram seus mandatos cassados pelo plenário e outros dois renunciaram às funções. Na opinião do senhor, esse tumulto paralisou as atividades da Casa? Purini – Sobrecarregou um pouco. Tivemos quatro Comissões Processantes. Isso gera um número de documentos muito grande. Cada comissão foi composta por três vereadores, sobrecarregando-os também. E não é só uma sobrecarga física, de trabalho. É uma sobrecarga emocional muito grande. Num determinado momento, o foco só se voltou para essa situação. Mas a Câmara conseguiu manter, durante as processantes, o trabalho normal e, depois delas, recuperamos o tempo perdido de produção. Mesmo com todos esses problemas, conseguimos entrar num ritmo de produção muito bom e intenso. Terminamos o ano bastante producente.
JC – Com tantas denúncias de irregularidades, cassações e renúncias de mandatos, a Câmara sofreu desgastes junto à opinião pública. O senhor concorda com essa afirmação? Purini – Eu acho que num primeiro momento, pode ter ocorrido um certo desgaste, quando surgiram as denúncias. Mas entendo que, apesar do aparente desgaste, a Câmara saiu fortalecida de toda essa situação. Se os envolvidos não fossem punidos, se não houvesse apuração, poderia se dizer que o desgaste seria maior. O Legislativo se auto-investigou, quebrou um pseudo-corporativismo, os envolvidos foram punidos, demitimos funcionários. Na verdade, foi um processo de amadurecimento. Hoje, a Câmara é muito mais madura do que antes. Tanto nas questões administrativas como também nas políticas. O saldo de tudo é positivo. Provamos que, além de investigarmos o Poder Executivo, também investigamos a nós próprios.
JC – Após os tumultos das cassações dos mandatos dos vereadores José Humberto Santana e Osvaldo Paquito e das renúncias de Walter Costa e Roberto Bueno, a impressão que se tinha era de que a Câmara mergulharia num mar de calmaria. Mas novas denúncias surgiram, desta vez envolvendo viagens fantasmas. Qual é a avaliação que o senhor faz desta nova situação negativa? Purini – A investigação é pertinente. O Ministério Público detectou dúvidas em relação a algumas viagens. Acho importante averiguar isso para que se possa sanar o problema. O promotor achou melhor investigar, abriu uma ação. Nos dá tranqüilidade em saber que há um organismo externo acompanhando o Legislativo. Tudo aquilo que o Ministério Público determinar à Câmara, será cumprido. Também acho importante destacar que tudo isso aconteceu, foi registrado no passado. Na atual gestão, esses problemas não ocorrem até porque nós já regulamentamos. O próprio promotor disse que, como está a regulamentação de uso de veículos e de viagens hoje, o que ocorreu no passado não teria acontecido agora.
JC – Se por um lado o Legislativo atravessou um ano bastante conturbado, não se pode negar que a Casa foi palco de inúmeras audiências públicas, discussões e reuniões com vários segmentos organizados da comunidade. Purini – Tivemos um ano de produção significativa. Foram registradas duas mil indicações, 82 moções, 1,4 mil requerimentos, dando um total de 3,5 mil processos no ano. Tivemos diversas audiências públicas, principalmente no decorrer do segundo semestre. Poucas vezes na história da Câmara tivemos tantas audiências públicas. As portas da Casa foram abertas para a comunidade e para as instituições debaterem e chegarem a um consenso sobre temas e questões.