Há uma cantiga popular cuja letra diz: “um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais”.
Parodiando, pode se dizer que “uma China incomoda muita gente e uma China, uma Alca e uma Índia incomodam muito mais.”
Poucos são os que estão conscientizados do momento dramático pelo qual atravessa o destino do parque industrial brasileiro. A falta da cultura exportadora, principalmente na pequena e média empresa nacional, faz com que a o empresário brasileiro desconheça a dinâmica do mercado mundial, e o leva a ignorar as ameaças que pairam sobre o seu negócio pelos concorrentes estrangeiros, assim como a desconhecer as oportunidades que o mercado mundial lhe oferece. A proximidade da implantação da ALCA, o progresso chinês no comércio internacional e o arranque da Índia no encalço da China, entre outros, representam oportunidades e ameaças que temos por obrigação compreender.
Já foi o tempo que verdadeiros bagulhos chineses se amontoavam nas prateleiras das lojas de R$ 1,99. Hoje, investindo pesado em tecnologia, os chineses avançam avassaladoramente no mercado mundial em todos os segmentos, devendo superar neste ano novos marcos no caminho para se tornar uma superpotência comercial. Pequim não só deve ter um novo recorde no superávit comercial com os EUA como eclipsará o Japão e vai se tornar o terceiro maior importador do mundo, atrás dos EUA e da Alemanha. Zeng Peiyan, vice-primeiro ministro chinês, anunciou recentemente que o comércio externo do país ultrapassaria os US$ 800 bilhões em 2003.
Com cerca de 900 milhões de habitantes e uma grande diversidade de línguas e culturas, a Índia é o segundo país mais populoso do mundo. As características de sua economia são as de um país em desenvolvimento, com cerca de 75% de seus habitantes exercendo atividades ligadas à agricultura, pesca e silvicultura. Convivendo com este quadro, o país possui setores industriais com elevado desenvolvimento tecnológico, destacando-se a produção de equipamentos para a geração de energia nuclear, componentes para aeronáutica, construção de satélites e informática (“software”).
Esse acordo é composto por esses 34 países de toda América e significa, em termos de mercado, 839 milhões de habitantes, US$ 12,7 bilhões de Produto Bruto, ou um terço do produto bruto mundial e mais de 20% do comércio global, dados de 2001.
Ignorar ou virar as costas para a Alca, China e Índia significa condenar o país ao isolamento comercial, tecnológico e financeiro, sujeitando o nosso parque industrial à deterioração pela perda de competitividade e o impensável sacrifício de uma imensurável quantidade de postos de trabalho brasileiros.
O autor, Paulo Roberto da Silva, é trader, faz abertura de mercados e representações comerciais no Exterior.