De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), além das vacinas e prescrições médicas, o comportamento do viajante é fator determinante na redução de riscos durante uma viagem. Isso inclui desde práticas simples, como lavar as mãos, até as mais complexas, como o uso de preservativos.
“Viajantes são mais suscetíveis a morrer ou ferir-se em acidentes e ações violentas do que a apresentar uma doença infecciosa exótica. Os acidentes de trânsito são a causa mais freqüente de morte entre os viajantes (...) Estima-se que mais de um milhão de pessoas morreram e outras 10 milhões ficaram feridas em acidentes de trânsito pelo mundo em 1998”, destaca a OMS.
A imensa maioria dos acidentes ocorre por imprudência ou descuido dos motoristas. “Verificar as condições do veículo, evitar bebidas alcoólicas, estabelecer um roteiro, evitar horários de maior fluxo, usar o cinto de segurança, dormir bem, fazer paradas regulares para descansar e respeitar as normas de trânsito reduzem muito os riscos”, salienta o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.
Os acidentes aquáticos também são freqüentes entre os viajantes. Precaução é a melhor maneira de preveni-los. Antes de entrar no mar, por exemplo, é importante observar se há placas de alerta na areia e conversar com salva-vidas sobre os limites de segurança e eventuais riscos da região - como a presença de tubarões e águas vivas e o uso de jet-skis e lanchas nas proximidades.
Traumatismos de crânio e coluna por mergulhar em água desconhecida e rasa é outro acidente freqüente. A OMS estima a ocorrência de pelo menos meio milhão de mortes por afogamento anualmente no mundo. Além disso, é preciso atenção
“As pessoas também não devem nadar em rios, lagos e igarapés pelo risco de contaminação por doenças como a esquistossomose. E mesmo em piscinas, é necessário ter cuidados básicos, como não nadar depois de comer ou beber demais. E nunca descuidar das crianças, que podem afogar-se facilmente mesmo em águas rasas”, destaca o médico.
Outro cuidado que deve ser tomado durante uma viagem é com a alimentação. É importante observar as condições de preparo e armazenamento de toda a comida que se pretende adquirir. Em caso de dúvidas, a melhor conduta é optar pelos produtos industrializados, observando-se a integridade das embalagens e prazos de validade.
“Evite comer em barraquinhas e praças, onde o alimento fica exposto à temperatura ambiente. Frutas e verduras devem ser lavados vigorosamente. Se você for preparar lanches para levar, coloque-os em recipientes térmicos adequados e que mantenham a temperatura pelo tempo em que o alimento vai ficar ali”, orienta o infectologista.
Ingerir bastante líquido é outra recomendação importante, segundo o médico. Principalmente para crianças, que podem desidratar-se em poucas horas. “Mas é necessário verificar a qualidade da água. Prefira a mineral industrializada, observando se a garrafa está lacrada. Evite a água de torneira. Se não for possível, ferva antes de beber”, comenta.
Diarréia
“A diarréia do viajante é o problema de saúde mais encontrado entre viajantes e pode afetar mais de 80% das pessoas em regiões de alto risco. Mesmo um breve episódio de diarréia pode arruinar um feriado ou viagem de negócios”, destaca a OMS.
Inúmeros fatores podem desencadear esse quadro - que tende a vir acompanhado de náuseas, vômitos, dores de cabeça e até febres. Um deles é a ingestão de água e alimentos contaminados. Pratos típicos também podem alterar o funcionamento do intestino, principalmente quando são muito condimentados.
“É muito comum as pessoas voltarem do Norte ou Nordeste do Brasil reclamando de diarréia por causa disso. Nesses casos, a pessoa precisa ingerir muita água para não desidratar. Se houver vômito associado, é preciso recorrer ao pronto-socorro para receber soro. Uma diarréia forte pode estragar o passeio de uma família inteira”, adverte o médico.
Ele salienta que nenhum medicamento deve ser tomado sem prescrição médica. “Se a diarréia for causada por um agente infeccioso e a pessoa tomar um remédio para prender o intestino, ela pode segurar o agente no organismo e agravar o problema”, ressalta.