Polícia

Febem afasta mais 4 após rebelião

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) afastou das atividades quatro funcionários que foram tomados como reféns na rebelião ocorrida anteontem, quando os menores destruíram a enfermaria da instituição. Paulo Orti, diretor da unidade, explica que a medida obedece laudos médicos, que atestaram falta de condições psicológicas para esses trabalhadores exercerem suas funções.

Porém, a medida reduz ainda mais o já defasado quadro de funcionários da Febem de Bauru. Do total de 98 trabalhadores, mais de 20 estão afastados. O número reduzido já vinha sendo criticado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa).

O presidente do sindicato, Antonio Gilberto da Silva, protocolou no Ministério Público da Infância e Juventude da Região de Bauru uma denúncia sobre as condições da Febem. Com o quadro de funcionários reduzido, Paulo Orti organizou um esquema de emergência para tentar compensar a ausência dos funcionários e amenizar a situação, classificada por ele como “delicada”.

“Convocamos toda a equipe e redobramos a segurança patrimonial externa. Além disso, solicitei escolta policial permanente em frente à unidade”, informou Orti. Apesar disso, ele ressaltou, ainda, que ontem a Febem viveu um dia calmo. “Como é uma data para visitas, o ambiente ficou mais tranqüilo”, disse.

Orti contou também que os três menores, supostamente os líderes da última rebelião, que tomaram várias doses de Diazepam (remédio usado como calmante) foram medicados e já retornaram à unidade. Porém, ele não adiantou se haverá transferências de internos. “Isso é uma discussão interna que ainda não tratamos. Só o faremos amanhã”, afirmou o diretor.

Histórico

A Febem de Bauru, nas proximidades do Núcleo Geisel, foi inaugurada em fevereiro de 2002 e começou a receber os adolescentes três meses depois. Sua proposta inicial era de ser uma unidade-modelo, com atividades multidisplicinares, equipe educativa e ausência de violência.

Porém, apesar da pouco tempo em atividade, a unidade já possui em seu “currículo” vários registros de violência. Na última terça-feira, um funcionário foi ferido nas costas após discutir com um menor. Durante o desentendimento, o adolescente quebrou uma divisória do banheiro e atirou uma pedra contra o servidor.

Três dias antes, um outro menor fugiu da unidade escalando um muro da instituição com o auxílio de uma barra de ferro, enquanto outros internos jogavam vôlei. Em três ocorrências anteriores do gênero, 46 menores escaparam da instituição: 11 no último dia 10 de dezembro, 19 no dia 21 de outubro e 16 no dia 1 do mesmo mês. Grande parte é reincidente.

Um dos piores motins ocorreu em setembro, que durou cerca de cinco horas e resultou em feridos e reféns. A ação só foi controlada com a intervenção da Tropa de Choque da PM.

A última rebelião ocorreu anteontem, que só foi controlada após a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) invadir a instituição para retirar os funcionários que foram mantidos como reféns e acalmar os rebelados. As negociações duraram aproximadamente três horas.

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