Ontem à tarde, um menor da unidade de Bauru da Febem foi socorrido com ferimentos leves pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Pronto-Socorro. Ele ateou fogo no colchão em que dormia, numa das salas de reflexão para onde foi transferido após participar da tentativa de fuga de domingo e da rebelião de sábado.
Para o diretor da unidade Paulo Orti, a iniciativa do adolescente não pode ser classificada como uma tentativa de homicídio porque o rapaz estava encostado numa das extremidades do quarto, longe das chamas. Ele não preferiu não cogitar as razões que levaram o menor a tomar a iniciativa e demonstrava tranqüilidade diante de tantas ocorrências.
Há uma semana, um funcionário foi ferido nas costas após discutir com um menor. Durante o desentendimento, o adolescente quebrou uma divisória do banheiro e atirou uma pedra contra o servidor.
Três dias antes, um outro menor fugiu da unidade escalando um muro da instituição com o auxílio de uma barra de ferro, enquanto outros internos jogavam vôlei. Em três fugas anteriores, 46 menores escaparam da instituição: 11 no último dia 10 de dezembro, 19 no dia 21 de outubro e 16 no dia 1 do mesmo mês. Grande parte é reincidente, informa a direção da unidade.
Tida como um renovado modelo de ressocialização de jovens infratores e segura em relação à comunidade à sua volta, a Febem de Bauru acumula cerca de 20 ocorrências entre fugas, denúncias de maus-tratos e rebeliões.
Um dos piores ocorreu em setembro, durou cerca de cinco horas e resultou em feridos e reféns. A ação só foi controlada com a intervenção da Tropa de Choque da PM.