Política

Em rota de colisão, petistas divergem sobre candidatura

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O PT de Bauru mantém a tradição e não consegue unir o discurso para as eleições municipais do ano que vem. De um lado, o sindicalista Roque Ferreira - da corrente “O Trabalho” - defende o lançamento de candidatura própria à prefeitura em 2004. De outro, a presidente da executiva municipal do partido, Estela Almagro, e o vereador José Carlos Batata (PT) articulam uma aliança com o PMDB e o PDT, com a possibilidade de o partido ocupar a candidatura de vice-prefeito.

Estela, no entanto, também assume, neste momento, que o partido deve lançar um nome na cabeça de chapa para a prefeitura. “Em princípio, essa é a linha que a direção nacional do PT tem defendido. Não tem nada que eu discorde, particulamente, neste momento”, diz.

Em março, dirigentes e militantes participarão de uma conferência para discutir o assunto. “Março é o prazo para definição de rumos”, informa a petista. A direção nacional da legenda defende que em cidades com mais de 200 mil eleitores o partido lance candidatura própria a prefeito.

“Essa é uma realidade. Neste momento, não discordo. Mas eu acho que muita coisa ainda vai acontecer e esse cenário poderá mudar. Temos uma aliança com o PMDB. Vamos estar permanentemente em conversa com esse aliado. Nós não vamos nos isolar”, adianta.

Mas há petistas que já assumem publicamente que a legenda deve se aliar a outra candidatura a prefeito e ocupar a vaga de vice na chapa. É o caso do sindicalista Jesus Garcia - da corrente “Articulação” -, membro do diretório estadual. Ele apóia a aliança com o PDT, que deverá ter como cabeça de chapa o ex-deputado federal Tuga Angerami.

Contra

Mas não é o que pensa Roque Ferreira. Ele é contra a concepção de que a governabilidade exige alianças estratégicas. “As alianças com o grande capital, com as oligarquias tradicionais e com as velhas e novas raposas da política brasileira, acabou condenando os governos do PT a administrar o status quo”, afirma.

“Assim, quando o povo brasileiro mais precisava de um PT aguerrido, para vencer a grave ameaça de destruição da nação via globalização e os tratados de livre comércio, que fazem avançar dia a dia a barbárie, eis que a direção do partido faz um pacto com a ordem vigente”, discursa.

O petista diz que “aliança conservadora” anunciada pela direção do partido e defendida por outros setores só pode ser entendida como os interesses de alguns de chegar ao Palácio das Cerejeiras “a qualquer preço”

“Querem ter o poder pelo poder, e se subordinar aos ditames e circulares, emanadas dos imperadores do planalto central. Essa política impedirá a transformação qualitativa da cidade de Bauru”, prevê.

Ferreira anuncia que vai abrir o debate sobre o assunto nas ruas, nas fábricas, nas escolas, em contato direto com filiados e simpatizantes, com o intuito de enriquecer a discussão eleitoral.

“Apresentaremos uma pré- candidatura a prefeito e uma nominata de candidatos a vereadores, que possam defender com firmeza essas posições, que expressam claramente a fidelidade e coerência com o Partido dos Trabalhadores, independente, sem patrões e sem o FMI, e fiel as suas origens”, finaliza.

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