Geral

Apesar do Natal, cai volume de cartas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A tradição de enviar mensagens natalinas pelos Correios está perdendo forças. Apesar da alta de 20% na distribuição de correspondências em dezembro em comparação com a média do ano, o volume de cartas entregues em Bauru neste mês sofreu uma queda de 1,36% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Embora o índice seja pequeno, para o assessor de comunicação da Diretoria Regional São Paulo-Interior da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru, Júlio Pedro Saadi, ele é representativo porque outras variáveis tomadas como base para análise são crescentes, como é o caso da taxa populacional.

“A queda já faz parte de uma expectativa da direção da ECT. Ela vem acontecendo ano a ano e pode ser reflexo da crise econômica. As mensagens de Natal aparecem como item supérfluo”, explica Saadi, que ontem não dispunha dos números absolutos utilizados para a base de cálculo.

De acordo com ele, os Correios também registraram redução neste ano no número de aerogramas de Natal vendidos pela empresa, que caiu aproximadamente 4,5% em comparação com o ano passado. Até o último dia 18, foram comercializados 2.244 milhões de cartões no Interior do Estado de São Paulo. Apesar da diminuição, essas postagens foram responsáveis pelo aumento de correspondências registradas pela empresa em dezembro.

O assessor de comunicação também aponta a Internet como a responsável pelos números em queda. A opinião dele coincide com dados apresentados por um provedor consultado pelo JC, que registrou só em dezembro um aumento de 20% no total de e-mails enviados. A empresa atribui ao Natal o incremento de mensagens via rede mundial de computadores.

Contraria essa realidade o dentista Luiz Sueishi, que enviou via Correios cerca de 150 cartões de Natal aos seus clientes. Porém, o volume já foi bem maior em anos anteriores. “Mandava bem mais (cartões), não chegava ao dobro, mas por causa da crise o número de pacientes caiu. Envio pelos Correios porque nem todo mundo tem Internet”, explica.

O dentista Marcelo Lopes Leão também recorre aos Correios porque, na opinião dele, cartões pela Internet não causam o mesmo efeito. “É uma questão de tradição. A idéia é colocar os cartões ao pé da árvore de Natal”, ressalta.

Sentimento parecido move o delegado Abel Abreu. Para ele, a mensagem pelos Correios é mais fraterna. “Tem um significado mais sentimental. As pessoas recebem com mais alegria”, conclui.

Papai Noel

Aos 68 anos de idade, Luci Gobi Clemente teve um pedido atendido pelo Papai Noel, que ontem à tarde lhe entregou em casa um fogão e uma cesta básica. O bom velhinho também agraciou seus cinco netos com brinquedos solicitados numa cartinha enviada aos Correios no dia 12 deste mês.

A idosa, que sobrevive com o minguado salário mínimo no Núcleo Mary Dota, foi uma das 206 pessoas atendidas pela campanha “Neste Natal adote uma cartinha”, da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). No total, 650 crianças e adultos enviaram correspondências. Pelo menos 100 ainda devem passar pela triagem, informa o assessor de comunicação social da Diretoria Regional São Paulo Interior da ECT.

Os pedidos ou são atendidos pela própria empresa, pelos parceiros dos Correios ou ainda pelos funcionários da empresa, que cotizam o valor dos presentes e fazem a distribuição, como aconteceu ontem.

“Eu fiquei feliz porque atenderam minha solicitação sem me humilhar. Na igreja me negaram uma cesta básica”, conta Luci.

Ela tomou coragem para enviar uma carta própria ao o Papai Noel, enquanto escrevia a correspondência de seus netos. Ontem à tarde, quando estava negociando um trabalho numa residência próxima, ela foi comunicada por um dos netos sobre a novidade. “Foi um grande presente de Natal”, conclui.

Comentários

Comentários