Às 9h45 de ontem, o movimento no Calçadão da Batista de Carvalho era tímido com pessoas passeando calmamente, algumas até levando consigo parentes de fora para conhecer a cidade. Mas em algumas lojas, principalmente as de produtos populares e artigos de R$ 1,99, era bem grande o número de pessoas procurando miudezas para presentear no Natal.
O comerciante Luiz Colpani contabilizava, às 10h50, mais de 200 pessoas em sua loja de roupas. “Pouco antes das 9h, quando cheguei para abrir a loja, já tinha gente esperando”, conta. De acordo com seus cálculos, mais de 1.000 pessoas passaram pela loja em menos de uma hora para comprar lembrancinhas ou fazer alguma troca.
“O hábito do brasileiro ninguém vai mudar. Mas este ano, quem tinha grandes compras para fazer veio mais cedo. Agora são as coisinhas miúdas. O presentinho para um sobrinho, netinho ou amigo que ficou fora da lista inicial.
”Num balanço prévio, Colpani diz que o Natal 2003 foi muito bom. Ele ainda não tinha como fornecer números, mas afirmou que as vendas superaram suas expectativas.
Trabalho e chuva
Às 9h55, o tráfego de pessoas por toda extensão da Batista de Carvalho e ruas transversais já era intenso. Entre os consumidores que corriam para efetuar as últimas compras a justificativa para o atraso era o fato de estar trabalhando ou até mesmo a chuva, que na noite de anteontem ameaçava cair, repetindo o temporal da noite da última segunda-feira.
Regina Valentim, gerente administrativa e financeira de uma agência de propaganda, trabalhou até tarde na terça-feira e só teve a véspera do Natal para comprar presentes. Levantou cedo ontem e às 10h só faltava o presente da neta, Vitória, que vai nascer em fevereiro.
Cheia de sacolas, a calçadista Alexandra das Neves já estava de partida, pois antes do comércio abrir ela já estava no Calçadão a postos para adquirir os presentes de seus familiares. No total, eram três pessoas que iriam ganhar os mimos que comprou. Ela também diz ter trabalhado até as 20h da terça-feira e por isso deixou para a última hora.
Uma das pessoas que fugiram da chuva foi o auxiliar de escritório Flávio Henrique dos Santos, que ficou com medo de ter as compras interrompidas por um pé d’água.
Ele preferiu levantar mais cedo e adquirir seus presentes e lembrancinhas antes que o comércio ficasse lotado. Mas às 10h15, quando corria para buscar seus parentes na rodoviária, precisava desviar suas sacolas em meio ao “trânsito” dos consumidores que, como ele, deixaram para comprar presentes na contagem regressiva para o Natal.