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As ciladas do empreendedorismo


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Demissões e desejo de novas oportunidades têm levado muitas pessoas a arriscarem no negócio próprio e infelizmente a se darem mal. Matéria publicada na revista Exame, com depoimentos de especialistas no assunto, procura alertar para os riscos dos que se aventuram como empreendedores. Tem sido comum a pessoa pegar o dinheiro da indenização e do FGTS para montar um negócio e perder tudo, voltando a procurar emprego. Dados do Sebrae mostram que 30% dos novos negócios não chegam a completar um ano de vida e 30% ou menos chegam aos cinco anos. Os ramos mais procurados são comércio e serviços, que dão a ilusão de exigirem menos capital e de serem mais fáceis. Cafés, lanchonetes, lojas de confecções, bijuterias e artesanatos, petiscarias, restaurantes e serviços de informática estão entre os mais procurados. Uns vão com a ilusão de que tiveram uma boa idéia e depois verificam que muitos já a tiveram e estão aí como concorrentes ou já fracassaram. Outros freqüentam cursos de empreendedorismo e se entusiasmam sem que tenham jeito para negócios. E existem aqueles que têm aptidão para negócios e pensam que é só comprar e vender sem consciência de que também é preciso saber administrar o negócio. É uma pena porque o negócio próprio é uma saída para o desemprego.

O empreendedorismo apresenta algumas ciladas e é bom estar atendo. Vejamos:

1) Cursos não transformam ninguém em empreendedor. Quando bem programados e bem ministrados, os cursos servem para despertar aqueles que ainda não perceberam que têm aptidão para negócios e para orientar sobre os procedimentos para abrir e administrar o negócio. Se o candidato não possui aptidão para negócios seria melhor até que não fizesse o curso porque pode se entusiasmar e entrar numa aventura fatal. Se tem aptidão pode tirar bom proveito do curso e dar uma guinada em sua vida. Um pequeno teste pode ajudar:- verificar se já teve algum sucesso e se sentiu-se bem fazendo alguma troca ou transação comercial.

2) Ser um inovador dentro de uma organização, aquilo que Gifford Pinchot III chama de “intrapreneur”, ou empreendedor interno, também não garante que a pessoa possa ser bem sucedida em negócio próprio, como empreendedor ou “entrepreneur”, na denominação de Peter Drucker. Criar, inovar com os riscos da organização é diferente de assumir o próprio risco. Hoje, muitas organizações de administração arejada vêm estimulando até mesmo a errar para inovar. É certo que se a pessoa tem mente criativa e registra sucesso em inovações dentro da empresa onde está empregada há uma expectativa de que também possa ser exitosa em negócio próprio. Mas não é condição suficiente, porque se a pessoa tiver medo de arriscar as suas economias dificilmente terá êxito. Caso notável aqui em Bauru foi do saudoso João Coube que saiu da Tipografia Comercial, onde trabalhava, vendeu a própria casa e começou seu próprio negócio, a grande Tilibra de hoje. E quantos venderam a própria casa e passaram a pagar aluguel o resto da vida!?

3) Ser criativo ou inventor também não significa ser empreendedor. Um dos maiores inventores do século 19, Thomas Edson, sonhou ser um homem de negócios bem sucedido mas as companhias que fundou entraram em colapso ao atingirem o tamanho médio e só foram salvas quando o próprio Edson foi despedido por uma administração profissional. Em Bauru tivemos pelo menos dois casos de pessoas muito criativas, que desenvolveram produtos de aceitação nacional – Polikorte e Poliveda, mas que infelizmente as empresas não prosperaram.

Estando alerta para as ciladas e sentindo firmeza de que tem jeito para a coisa, prepare-se e vá em frente, porque “esperar não é saber.”

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é administrador e ex-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru.

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