Chocou-me ler na “História da Vida Privada”, Vol. 1, do Império Romano ao Ano Mil, “Os recém-nascidos só vêm ao mundo, ou melhor, só são recebidos na sociedade em virtude de uma decisão do chefe de família; a contracepção, o aborto, o enjeitamento das crianças de nascimento livre e o infanticídio. São, portanto, práticas usuais e perfeitamente legais” E mais adiante: “A criança que o pai não quiser, será exposta diante da casa ou num monturo público; quem quiser que a recolha”.
Após essa leitura e profunda reflexão foi que passei a compreender melhor o sentido mais profundo do Natal; o nascimento de Jesus, na humilde manjedoura e toda a importância de tal fato para o mundo de então e todo o mundo nos séculos a seguir. O Natal veio representar o resgate da vida humana, antes tão desvalorizada, desprezada, como se nascer fosse o mesmo que chocar ovos ou dar cria.
Com o Natal do menino Jesus foi que nasceu o Homem de verdade e não apenas mera cria, sem nenhum valor e começou a nascer aí, o que em nossos dias culmina com o resgate do “Direitos da Criança e do Adolescente” e hoje, bem mais civilizados e cristianizados, os seres humanos que nascem são outros tantos Jesus Meninos, com honrarias e gestos de boas vindas ao mundo a ponto de todo recém-nascido ser um rei entre os seus, por mais humilde, por mais pobre e miserável que sejam aqueles que os geraram..
O fato de, muitas vezes não terem eles condições de cuidar devidamente dessa nova vida que surge, aí está a sociedade para suprir a falha e ao invés de atirá-los ao monturo, abnegadas e conspícuas senhoras da nossa melhor sociedade dedicam-se em creches e outras entidades da melhor assistência social a cuidar ou a providenciar cuidados e mesmo carinhos a todas as crianças, sejam elas quais forem; filhos de pais mais ou menos abonados financeiramente.
Que o Natal seja a fonte da inspiração dessas abnegadas senhoras e lhes proporcione as bênçãos de Deus e a gratidão de uma sociedade bem mais evoluída que privilegia e ampara a criança, ao invés de enjeitá-la, Graças a Deus!
Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras