Tribuna do Leitor

Carta aberta à diretora da DIR 11 de Botucatu, Fátima Padovani


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Tomamos conhecimento da entrevista da diretora da DIR 11 de Botucatu-SP, Fátima Padovani, ao Jornal de Bauru, que circula em 100 municípios do Centro de São Paulo e que foi publicada no sábado, dia 20/12/2003, nas páginas 22 e 23 e que também pode ser lida no site do Jornal da Cidade em: "Pacientes vão à Justiça por remédio" e "DIR dá prioridade aos usuários da Unesp", notícias estas abaixo transcritas.

A diretora da DIR 11 afirma que os pacientes que procuraram a Justiça para receber os remédios “são pessoas elitizadas”, que não se sujeitam ao atendimento médico na rede pública.

Sra. Fátima Pavani, num país de extremas desigualdades e de muita ignorância dos direitos ao pleno exercício da cidadania, talvez até possamos ser considerados elitizados mas, não nos consta que seja da competência da sra.esse mérito de julgamento discricionário.

A sra. Fátima Pavani afirma ainda que “não é fácil levantar cedo, viajar e ainda enfrentar fila. Eles preferem o atendimento particular porque é mais tranqüilo e preservado. Como eles sabem que têm direito ao medicamento, pagam advogado e conseguem uma liminar”

São lamentáveis e infelizes essas palavras e só podemos acreditar que a sra. não estava em bom momento pois, antes de mais nada, depõe contra a própria atuação da DIR que a sra. dirige. Empreenda energia para acabar com filas e cumprir as responsabilidades que lhe são impostas pelo cargo, pela sociedade e pela justiça. Não se exima de suas responsabilidades, sra. Fátima Pavani.

Quando os organismos do Estado começam a falhar e a distorcer a sua função, comos demonstram as declarações da sra., só cabe recorrer à Justiça e organizar a sociedade civil para prevalecer os seus direitos. Por sinal, é o que, neste momento estão fazendo as pessoas cadastradas no SUS que entraram na Justiça para que lhes fossem fornecidos os remédios prescritos.

Em breve, sra. Fátima Pavani, sob a sua jurisdição, haverá uma atuante ONG e “os elitizados” ensinarão e ajudarão os menos favorecidos a, também exigirem os seus direitos. Através de campanhas será alertada a sociedade sobre a epidemia silenciosa que é a hepatite C. Eles contarão com o apoio de diversas ONG’s de todo o país e estaremos apoiando todas as iniciativas na região.

Isso é a sociedade civil se organizando para superar os problemas que nos afligem e buscar soluções de direito e de justiça. É a união de esforços para não permitir discriminações, injustiças, desmandos e discriminações.

Sra Fátima Pavani, existe outra via que é a compaixão pelo próximo, a prática da solidariedade, da construção do entendimento e da parceria. O aprimoramento e a união de esforços para minorar a agonia e o sofrimento de milhares de pessoas.

Do fundo de meu coração quero crer em um mal entendido, que será prontamente esclarecido e dissolvido pela manifestação inequívoca da sra. para que se evitem maiores desdobramentos, em diversos níveis e que seja restabelecido os princípios do respeito aos cidadãos, das decisões de leis e da justiça.

Aceite os meus mais veementes protestos e o convite para construir verdadeira parceria na região para melhorar a vida de milhares de pessoas que tem problemas graves no fígado.

Abdo Gavinho - coordenador de HepC GIA - Hepatite C Grupo de Informação e Apoio

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