Política

Morre o empresário Moussa Tobias

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O empresário e ex-vice-prefeito de Bauru Moussa Nakhl Tobias morreu ontem, às 6h, aos 63 anos de idade. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde recebia tratamento médico contra um câncer de pulmão. Seu corpo está sendo velado no plenário da Câmara Municipal. O enterro está marcado para as 10h de hoje, no Cemitério da Saudade. O prefeito Nilson Costa (PTB) decretou luto oficial de três dias.

Em entrevista concedida ao jornalista Luiz Carlos Cordeiro, da Revista Atenção, edição de fevereiro de 1999, o empresário relatou a sua história. Moussa nasceu no Líbano, na aldeia de Bekarzala. Como todo bom libanês, vislumbrou no Brasil a oportunidade de fazer a vida. Aqui já estavam os irmãos Ibrahim e Edmundo, que em Bauru tocavam seus negócios no segmento de armarinhos.

No dia 13 de fevereiro de 1959, Moussa, então com 19 anos de idade, desembarca em Bauru para se associar aos irmãos. Com os pés no chão, construiu no Distrito Industrial a Sukest, fábrica de sucos e goma de mascar que atualmente fornece seus produtos para os mercados interno e externo. Os demais irmãos - Youssef, Pedro e Ilza - chegaram alguns anos depois. Uma outra irmã, Juliete, ainda mora no Líbano.

Embora libanês, ele sempre se considerou um brasileiro nato. Casou-se com Wanda Pontin em 1966 no mesmo dia em que pisou o solo de Bauru: 13 de fevereiro. Com ela teve os filhos Venícius, Valéria e Vera. Nos últimos anos, seu hobby preferido era curtir os netos Octávio, Isabelle, Giovanna, Marcus Vinícius e Guilherme.

John Wayne

Apesar de pouco freqüentar as salas de cinema da cidade, Moussa era fã de filmes épicos, dentre os quais “...E o vento levou”, clássico de Hollywood que retratou as feridas da Guerra de Secessão, nos Estados Unidos. Gostava também de filmes de faroeste - principalmente os estrelados por John Wayne -, além de policiais.

Na área musical, tinha gosto eclético. Gostava de ouvir Caetano Veloso e Roberto Carlos. Mas apreciava obras de Nat King Cole, Charles Aznavour e Júlio Iglesias.

Um bom charuto cubano também fazia parte de sua lista de prazeres. “O charuto é relaxante. É um fio terra distraindo os nervos e escapando a energia, como o colar árabe”, comparou.

Sobre suas viagens a regiões que ainda estavam descobrindo seus potenciais econômicos - como a Alta Paulista e a Noroeste -, o empresário sempre lembrava das dificuldades de locomoção. Era uma época em que as estradas de rodagem ainda não conheciam a pavimentação asfáltica.

Por muitas vezes, Moussa remexia suas memórias para lembrar da necessidade de passar corrente nas rodas de seu veículo, debaixo de muita chuva, para vencer a lama e chegar até os municípios nos quais ofertava seus produtos.

Apesar da doença, nas suas últimas aparições ainda demonstrava energia para conversar sobre tudo, principalmente política - interna e externa.

Seu estado de saúde se agravou nos últimos dez dias e a família decidiu levá-lo para São Paulo. Durante todo esse período, o empresário foi acompanhado de perto pelo irmão, Pedro Tobias, médico e deputado estadual.

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'Ele foi um guerreiro'

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), irmão do empresário Moussa Tobias, define em quatro palavras o perfil do ex-vice-prefeito: “Ele foi um guerreiro”. Para o parlamentar, Moussa foi muito mais do que um irmão. “Foi pai e orientador. A hora que precisava, puxava minha orelha.”

Tobias conta que acompanhou de perto a doença do irmão. “Acompanhei as complicações, as melhoras. E ele nunca reclamou. Foi uma perda, principalmente para as pessoas mais carentes.”

O parlamentar conta que, há 18 meses, quando a doença já estava diagnosticada, muitas pessoas o procuraram para dizer que estavam rezando pelo irmão. “Ele só criou amigos nesta cidade. Era do tipo que ajudava, dentro do seu limite, qualquer pessoa que pedisse socorro. E nunca divulgou esse trabalho”, frisa.

Na avaliação de Pedro Tobias, a morte do irmão o faz reforçar a tese de que a sociedade precisa ser mais humana e fraterna. “O dinheiro não resolve todos os problemas. Também não é só o Poder Público que vai acabar com todos eles. A sociedade precisa participar mais. Precisa ser mais humana e fraterna em relação às pessoas que sofrem e lutam para sobreviver.”

Sobre a influência do irmão no seu comportamento político, Tobias reconhece que perdeu um aliado. “Perdi meu braço direito, esquerdo, meu goleiro e atacante. Todas as minhas campanhas foi ele quem organizou. Vai fazer grande falta, não só na política, mas como irmão e cidadão.”

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