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Esperança


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Atualmente, o panorama geoestratégico do mundo não inspira confiança e segurança nas pessoas. Ao contrário: nota-se um pessimismo profundo, uma irritação generalizada que alcança os habitantes dos cinco continentes. O futuro imediato é uma incógnita. É muito preocupante.

A visita de George W. Bush, por um par de horas, a um hangar do aeroporto de Bagdá, superprotegido com excepcionais medidas de segurança, no dia de Ação de Graças, serviu seguramente para levar ânimo e alento aos soldados, mas não respondeu - nem podia fazê-lo - nenhuma das legítimas preocupações dos militares.

A verdade é que Bush, por mais pressionado que esteja em razão das eleições presidenciais de novembro do próximo ano, não pode deixar o Iraque, em pleno caos, à sua triste sorte. Tampouco pode retirar as tropas do Afeganistão, onde os ataques antinorte-americanos cometidos pela população afegã recrudescem de modo preocupante. O próprio mulá Omar pôde ser visto rezando tranqüilamente nos arredores de Cabul. Por outro lado, é preciso aumentar os contingentes devido às necessidades crescentes de efetivos e pelo cerco ao qual estão submetidas as tropas. Entretanto, não é fácil optar por alguma destas alternativas devido à oposição que se detecta na opinião pública norte-americana.

Deve-se acrescentar que o terrorismo se intensifica e se propaga por todo o mundo islâmico. Da Turquia ao Marrocos, da Indonésia à Arábia Saudita. As humilhações infligidas diariamente - habitualmente de forma arbitrária - aos afegãos, iraquianos e palestinos constituem uma prodigiosa semente de insurretos e kamikazes; em uma palavra: de terroristas. O que nos leva à inevitável pergunta: tem sido eficaz a estratégia utilizada até agora na guerra contra o terrorismo?

Em Israel, pela primeira vez na história a pressão da sociedade civil e da consciência das pessoas informadas, de ambas as partes, se cristalizou na vontade de entrarem em acordo sobre um plano de paz e exercer pressão sobre os governos, com o apoio expresso da comunidade através das consciências político-morais mais diáfanas de nossa época: Mandela, Havel, Carter... Trata-se de uma revolução pacífica ante a qual não se deve permanecer indiferente. Terá conseqüências positivas neste mundo tão afligido e perplexo.

O autor, Mário Soares, é ex-presidente de Portugal.

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