Bairros

Crianças do Ferradura Mirim aguardam presentes

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

A distribuição de brinquedos feita por Madalena Branca já se tornou tradição no Ferradura Mirim. Todos os anos, as crianças aguardam com ansiedade o momento esperado da entrega de presentes.

Andréa dos Santos, 10 anos, é uma delas. A menina sonha em ter uma boneca. “Eu não tenho”, diz.

Carmélia Menezes, moradora do bairro, tem três filhas que recebem há três anos os brinquedos doados por Madalena.

Desempregada e viúva, ela conta que cuida sozinha da filha. “De vez em quando, trabalho como catadora de papel. Não tenho renda, então não tenho como dar nada para os meus filhos”, diz.

Segundo Carmélia, o trabalho voluntário é de extrema importância para o bairro. “Todas as pessoas ficam esperando os presentes. A maioria não tem emprego e fica na expectativa”, expõe.

Joice Tríssia também é mãe de três filhos e está desempregada. Ela afirma que, no Ferradura Mirim, ninguém tem condições de proporcionar um fim de ano alegre para suas famílias.

“É importante o que ela (Madalena) faz. Nós precisamos de alimentos, brinquedos para as crianças. Pelo menos no final do ano. Eles sempre querem presentes e a gente não tem como comprar. Então ficamos na expectativa de ganhar de alguém”, revela.

“Eu gostaria que todo mundo fizesse isso que ela faz e ninguém ficaria sem brinquedo”, acrescenta.

A diarista Rosinete Tavarez, mãe de dois filhos, concorda com Joice. “O que ela (Madalena) dá para as crianças a gente não pode comprar. Quando ela dá, as crianças ficam contentes. Não só os meus filhos, como todas as crianças”, salienta.

“São muitas crianças. Muitas mesmo que ganham brinquedo da Madalena. Ela ajuda bastante a molecada”, acrescenta.

Como acontece com grande parte dos moradores do bairro, Rosinete não dispõe de renda definida e por isso não tem condições financeiras para comprar presentes para seus filhos.

“Eu não tenho dia certo para trabalhar e por isso não sei quanto vou ter no final do mês. Não só eu, como muitas pessoas”, diz.

Rosinete enaltece a iniciativa de Madalena. “Seria bom se tivesse mais pessoas fazendo o que a Madalena faz. Eu ainda faço uns bicos de vez em quando. Mas tem gente que não trabalha, tem muitos filhos e não consegue nada”, agrava.

Situação semelhante é a de Benedita Fonseca Mesquita, de 51 anos. Desempregada, ela cuida do filho e de três netos. “É difícil. Quem mora na favela não consegue serviço. O marido não consegue e eu também não”, reclama.

Benedita diz que o filho precisa de roupas para ir à escola, entre outras coisas. “Não tem como dar alguma coisinha para ele. Se eu comprar isso, já tiro da boca e faz falta. Não tem condições”, enfatiza.

“Se eu pudesse, eu ajudava quem precisa mais que a gente. A gente precisa, mas tem outros que necessitam mais”, observa a moradora do Ferradura Mirim.

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