Certificam os especialistas que quase todos os casos de obesidade são do tipo alimentar, decorrente de maior ingestão de calorias do que as necessidades exigidas pelo organismo, porquanto desde que exista certo desequilíbrio entre a quantidade de energia ingerida acontecerá um processo de armazenamento indevido no tecido adiposo, o qual possui duas funções opostas: de um lado o acúmulo de calorias e, de outro, a mobilização das mesmas. O problema decorre, então, do excesso de ingestão e do gasto normal ou, também, ingestão normal e gasto menor. Mas um bom tratamento da anomalia requer não apenas comer menos, mas eliminar a causa. Situações psicológicas desempenham amplas funções no caso, com manifestações assás variadas, como as tensões das grandes cidades, desejos não realizados, crianças infelizes, mulheres deprimidas ou insatisfeitas, tristezas profundas, paixões avançadas, vida sedentária, falta de esporte e até mudança do tipo de trabalho. Algo bem menos freqüente é a obesidade endócrina, ou seja, a que está associada à função exagerada ou diminuída das glândulas de secreção interna.
Há que se destacar, explicam os observadores, que o conceito de obesidade evoluiu muito com o decorrer do tempo, haja vista que hoje em dia considera-se ótimo o indivíduo esbelto com peso abaixo da média, simplesmente. Ela pode ser eliminada com certeza, incluindo o tratamento medidas tendo por finalidade novos e sadios hábitos alimentares até que o excesso de gordura armazenado seja consumido. Entre tais medidas auxiliares surge a fisioterapia sob a forma de massagens e banhos suadores, a isso se tendo de acrescentar exercícios físicos feitos através de ginástica e caminhadas de alguns quilômetros a pé. As anfetaminas e o hormônio da tireóide têm também grande valor no tratamento, juntamente com certas substâncias químicas. De qualquer forma o enfrentamento do excesso de peso exige paciência, constância e compreensão de parte dos obesos, os quais, uma vez almejando tornar-se aquilo - homens e mulheres esbeltos - precisam entrar com esforços próprios, que, evidentemente, não são apenas apertos de cintos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.