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Em busca de uma civilização


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Em matéria anteriormente oferecida à consideração dos que nos honram e estimulam com a sua atenção, tivemos a oportunidade de afirmar que, segundo nosso entendimento, os poderes econômico-financeiros e militares sob controle da nação pluriestatal constituída pelos adoradores do “deus” Mercado, estão bracejando na areia movediça em que, a cada dia, mais se afundam. É que a areia a que nos estamos referindo metaforicamente, constitui-se, exatamente, do poder hegemônico que detêm, o segredo de cuja permanência sempre dependeu da ignorância dos que são explorados e vitimados por eles, acerca da sua existência. Prepotentes, gananciosos e insaciáveis, lançaram-se, recentemente, à aventura do domínio do Afeganistão e do Iraque. A propósito, antes mesmo de que se iniciassem as agressões em questão, tivemos a oportunidade de vaticinar que elas viriam, sobretudo no caso do Iraque, qualquer que fosse a opinião da ONU e, mais, que os perdedores seriam os agressores. Agora, o que vê o mundo? Recrudesce no Afeganistão a resistência Talebã e, no Iraque, toda gente percebe que, de há muito, a resistência não era comandada por Saddam Hussein, acuado no buraco em que foram buscá-lo e, ao contrário, que a referida resistência cresce exponencialmente, e se sofistica a cada dia que passa. A essa realidade, soma-se a cada vez mais evidente influência do “lobby” pró-Israel, a nível do prático domínio do governo americano. Ora; o referido “lobby” constitui parte importante do poderio dos adoradores do “deus” Mercado. De repente, o mundo passa a enxergar grande parte das atitudes americanas no Oriente Médio, em geral, e na questão palestina em particular. São esses fatos que até bem pouco passavam despercebidos do grande público, do que dependia, como o dissemos acima, a segurança do poder hegemônico.

O uso abusivo e prepotente da formidável hegemonia, acabou por constituí-la na areia movediça que, repitamos, começa a tragá-lo, por mais que braceje por evitá-lo.

Trata-se, pensamos, no 2.º plano da História, o Plano Providencial que, de fato, conduz o destino da humanidade, e sempre para cima e para o alto. A civilização degradada do momento será, supomos, em breve, substituída por outra melhor, cujos pródromos se manifestam claramente, no repúdio da opinião pública que, no mundo inteiro, já repudia a violência e passa a entender que se impõe o império da Justiça entre os homens e os povos.

Aliás, não é descabido assinalar o divórcio que, no particular, se tem evidenciado, entre a opinião pública e a dos governantes - o que mostra até que ponto é democrática, e “democracia” que tentam impingir a todos, até à força, se necessário for. Exemplo antológico? A tentativa de “democratização” do Iraque. Enlouquecidos de orgulho, perderam a capacidade de enxergar o óbvio. E, por isso, vão afundando na areia movediça em que se constituiu o formidável poder de que dispõem. Até a próxima vez, se Deus quiser.

O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC.

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