São Paulo - Vários dos principais corredores de média e longa distância brasileiros terão hoje a árdua tarefa de enfrentar a força do atletismo queniano e surpreender na 79ª edição da Corrida de São Silvestre.
A prova de 15 quilômetros, que terá largada da categoria feminina às 15h15 e masculina às 17 horas, terá início na Avenida Paulista sob o impacto da notícia do doping de Marizete Resende, campeã entre as mulheres no ano passado.
No masculino, a presença queniana garante o bom nível internacional da prova, que contará com o atual vencedor da Maratona de Nova York, Martin Lel, que não recusou a posição de favorito à vitória.
Ganhador da São Silvestre em 2002, o também queniano Robert Cheruiyot, vai buscar o bicampeonato embalado pela vitória na Maratona de Boston, outra prova tradicional do atletismo mundial e disposto a quebrar o recorde da prova de 43min12, estabelecido por Paul Tergat, em 1995.
No entanto, as chances brasileiras no masculino são modestas. O melhor fundista do país, Vanderlei Cordeiro de Lima, afirma que não espera ter um grande desempenho em São Paulo. “Estou entrando na São Silvestre sem compromisso. Espero chegar entre os dez primeiros”, conta Vanderlei.
O brasileiro diz ainda não estar totalmente recuperado de sua participação na Maratona de Fukuoka (Japão), no último dia 7. Na ocasião, conseguiu o tempo de 2h10min38s, que o colocou entre os pré-classificados aos Jogos de Atenas - o país levará três atletas.
Dando prioridade à participação olímpica, ele aposta em outro brasileiro. “Acredito no Marilson dos Santos. No momento, acho que a experiência conta tanto quanto o preparo físico.”
Marilson, porém, também prioriza a maratona -deve estrear na prova em março ou abril - pensando na Olimpíada. “Estou melhor neste ano do que em 2002, quando fiquei em segundo lugar. Mas a competição será forte, e qualquer um pode vencer”, analisa Marilson, que venceu a prova Sargento Gonzaguinha, também de 15 km, disputada no dia 14, em São Paulo.
Entre as mulheres, as chances brasileiras do primeiro lugar no pódio são bem maiores. Com atletas como Maria Zeferina Baldaia, vencedora da prova em 2001, e Márcia Narloch, ouro na maratona do Pan de Santo Domingo, o Brasil tem boas chances de conquistar, pela primeira vez na história da fase internacional da corrida, um tricampeonato.
Somente uma vez o país teve chance semelhante, também com as mulheres. Há seis anos, as brasileiras vinham de dois títulos seguidos, com Carmem de Oliveira (1995) e Roseli Machado (1996). Mas, em 1997, a vitória foi da equatoriana Martha Tenório.
Sirlene Pinho, vice-campeã da Volta da Pampulha deste ano, também é forte candidata a um bom resultado na competição, que deverá contar com presença de 15 mil corredores
A maior ameaça para as brasileiras é justamente uma queniana, trata-se de Margaret Okayo, vice-campeã da SS há dois anos e vencedora da Maratona de Nova York em 2001 e 2003, aliás ela é bicampeã e recordista da prova norte-americana.
Okayo também é forte candidata a quebra do recorde da prova, que pertence a sua compatriota, Hellen Kimayio desde 1995. “Estou em boa forma e prefiro não fazer previsões. Mas quero muito vencer”, diz Okayo.
A prova vai distribuir R$ 86 mil em prêmios, dos quais R$ 17 mil para os vencedores das categorias masculina e feminina, e R$ 11 mil para os vice-campeões. Outros 13,6 mil serão distribuídos para os melhores brasileiros na prova, com o objetivo de incentivar a presença de corredores nacionais.