Pesca & Lazer

História de Pescador: O brinco radical


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“Desta, para minha tristeza, eu fiquei de fora, já tinha compromisso assumido. Assim, ‘vou vender pelo preço que comprei’, mas afianço que é a mais pura verdade. Por essa turma eu boto a mão no fogo, mas uma só.

Vejam só a escalação: Celso Matsumoto, João Faulin, Ricardo Scameloto, Álvaro, Osvaldinho, Zé Roberto e Nandinho, de Piratininga, e de Bauru apenas o ‘seu’ Vander, todos bons de papo, bons de garfo e de copo, bons de truco, enfim, grupo cabeceira.

Foram acampar em uma fazenda às margens do rio Verde, no município de Água Clara-MS. Como em pescaria sempre se esquece alguma coisa, esqueceram a carne, prato principal em todas as refeições. Que fazer com tanto carvão, sal grosso e o estoque de latinhas?

À noite, o pessoal da fazenda aparecia no acampamento para passar horas agradáveis na companhia desse grupo e lá pelo segundo dia, comendo apenas lingüiça e alguns peixinhos, perguntaram a esse pessoal se não haveria na fazenda alguma carne para emprestar. Seria reposta tão logo fossem à cidade.

Com a hospitalidade que caracteriza aquele povo (já ressaltei essa qualidade anteriormente nesta coluna), não tiveram dúvidas: no dia seguinte mataram uma novilha e lá apareceram, no final da tarde, com várias peças de carne ainda quente. Parte dela foi logo para a churrasqueira para matar o jejum de alguns dias.

Como a carne precisava esfriar antes de ir para o gelo e não dispondo de ganchos, usaram alguns anzóis 10/0 para esse fim. Depois de muita conversa, comilança, muitas quedas de truco e muitas latinhas foram dormir, não sem antes colocar a carne na caixa térmica, mas deixando os ganchos improvisados para serem retirados no dia seguinte.

O ‘seu’ Vander, homem de pular cedo, foi o primeiro a se levantar e só se lembrou dos anzóis quando se viu fisgado pela orelha em um deles. Foi um alvoroço e todos buscavam em sua tralha algo com que pudessem cortar o anzol, só encontrando alicates de corte que se mostravam impotentes, ‘desbocando’ contra o aço daquele equipamento norueguês. Até o pessoal de um acampamento vizinho apareceu, tentando, sem sucesso, dar uma mão.

Foi então que a própria vítima lembrou-se de ter uma lima em sua caminhonete e, com ela, segurando uma pessoa de cada lado, foi possível cortar o anzol e retirá-lo sem maiores danos.

Desinfetado o ferimento com um pouco de cachaça, a pescaria continuou, ficando apenas a brincadeira de alguém que sugeriu que o anzol não fosse retirado e a vítima ficasse na moda, com aquele brinco radical e modernoso.”

O autor, Jovercy Bergamaschi, não esteve presente nesta, mas com certeza estará na próxima.

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