São Carlos - São Carlos (130 quilômetros a Nordeste de Bauru) está prestes a virar ponto de referência na América Latina na área de tecnologia de segurança.
A cidade irá abrigar o Laboratório para Pesquisa e Desenvolvimento de Materiais e Dispositivos para Segurança Tecnológica (LPDST) por intermédio da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O projeto foi apresentado no último dia 4 de dezembro, em Brasília (DF), ao secretário nacional de Segurança Pública, Luís Fernando Corrêa, que recebeu o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de São Carlos, capitão Allan Martins, e o chefe do Departamento de Física da UFSCar, professor Fernando Araújo Moreira.
O projeto, orçado em cerca de R$ 15 milhões, deve agora ser apresentado ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Segundo Allan, o secretário de Segurança deve sugerir a Bastos que o projeto envolva ainda os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, com cada um cedendo parte dos custos para a construção, inclusive o Ministério da Justiça.
O projeto de implantação do LPDST prevê utilização de uma área de 20 mil metros quadrados na região norte da universidade.
Serão construídos 20 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento para serem utilizados em projetos ligados à segurança pública e tecnológica em geral.
O desenvolvimento de dispositivo de mirá-laser, detectores de entorpecentes, materiais explosivos e metais, analisadores de bagagem, sistemas de identificação (leitoras de retina e impressão digital) e de detecção de radiação infravermelho para visão noturna são alguns dos exemplos da alta tecnologia que será oferecida pela UFSCar.
Haverá também o desenvolvimento de um sonar para localização de túneis para fugas de presos em presídios, de materiais de alta resistência ao impacto (para coletes e blindagem de veículos), de sensor de vazamento de combustível e de dispositivo de controle de albergado (pulseiras) e bloqueador de aparelhos celulares.
Cerca de 50 doutores dos Departamentos de Química, Engenharia de Produção, Civil e de Materiais, Física, Psicologia, Estatística, Recursos Naturais e Proteção Ambiental e Ecologia e Biologia Evolutiva estão envolvidos no projeto.
Além disso, diversas instituições nacionais e internacionais, tais como TAM, Defesa Civil Federal, Ciesp/Fiesp, Universidade do Estado de Oklahoma (EUA), ONU e Unesco já manifestaram interesse na participação do LPDST através de investimentos para pesquisas e intercâmbio de tecnologia.
Economia
Para o capitão Allan, além da nacionalização de equipamentos que hoje são importados, um dos grandes benefícios da implantação do projeto é a queda no custo desses materiais.
“Um traje de explosivista custa hoje US$ 40 mil. Com a fabricação no País, esse custo pode cair para US$ 5 mil. O escudo balístico não sai por menos R$ 1.500,00, podendo cair esse valor para R$ 100,00†exemplifica.
O capitão explica ainda que, para a implantação do LPDST, o governo federal seria responsável apenas pela construção dos laboratórios.
“A proposta é construir seis laboratórios já em 2004, mais seis no ano seguinte e o restante em 2006, tornando-se auto-sustentável a partir de sua finalizaçãoâ€, explica.
Além de sugerir, testar e aperfeiçoar o que for desenvolvido, a pretensão da Polícia Militar do Estado de São Paulo é obter uma porcentagem do que for produzido para ser usado por seus policiais.
“Com certeza, São Carlos vai ser referência na América Latina em equipamento de tecnologia na área de segurança pública e irá intercambiar tudo isso com outras polícias do País e até do mundoâ€, acredita.
(*) Repórter do São Carlos News especial para o JC