Tribuna do Leitor

Moussa Tobias: morre um homem de sabedoria


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O empresário e amigo de todos, Moussa Tobias, que morreu na última sexta-feira, vítima de câncer, era sem dúvida uma unânimidade por tantos que se prendia as avaliações a seu respeito. Era um homem inteligente, afeito ao comércio, chegando a se destacar entre os árabes de nossa cidade, com uma visão empresarial que poucos possuíam. Gostava de política, de ficar envolvido em assuntos de interesse da comunidade e, quando se expressava, todos ao seu redor lhe dedicavam o maior respeito, manifestado por um completo silencio. Já sabiam os preentes que de Moussa viriam palavras sábias, sensatas, maduras e que produziriam ótimos resultados.

Moussa nasceu em 1945 na cidade de Bekarzala, no Líbano e chegou a Bauru em 1959, para trabalhar com os irmãos num depósito de armarinhos. Com um início de vida profissional difícil, aos poucos foi crescendo com sua empresa de armarinhos, chegando a formar um conglomerado de empresas de muita solidez e de extrema organização. Teve dificuldades empresariais, mas jamais deixou que suas dificuldades afetassem sua sensatez, que aliás era emprestada a amigos, políticos que o procuravam em busca de conselho, pessoas humildes, amigos e até parentes. Era um verdadeiro líder. Foi presidente do Bauru Tenis Clube, era atualmente presidente do Conselho Deliberativo e, em especial no BTC teve marcante participação. Como diretor do CIESP mostrou sua capacidade de empreendedor e de homem de visão, na qualidade de diretor.

Na política, Moussa Tobias foi eleito vice-prefeito em 1992, ao lado de Tidei de Lima. Também foi diretor da Cohab e do PMDB. Mas sua característica mais marcante foi sua capacidade de angariar amigos, de todas as facções políticas, muito embora sempre tivesse participação na política e filiado ao PMDB. Políticos de todas as alas o procuravam para ouvir seus conselhos. Não tinha inimigos. Sempre recebia a todos com um sorriso especial, muitas vezes demorado, e, neste tempo de sorriso, estava ele a pensar na mais adequada colocação do diálogo daquele momento. Era assim, sua inteligencia lhe permitia usar de “trejeitos”, para pensar um pouco mais para ter a expressao mais correta para o momento.

Lutou pelo antigo Diário de Bauru, onde investiu bastante, defendendo que nossa cidade sempre precisou de dois jornais, até mesmo para que tivessemos duas opiniões divergentes sobre um assunto, para a melhor conclusão dos leitores. Jamais abandonou seus charutos de preferencia cubanos. Ao sentir o aroma próprio, os presentes de qualquer ambiente já recebiam o sinal de que o “chefe” estava por ali e... sempre rodeado por amigos. Seu final de vida foi de sofrimento, especialmente nos últimos quinze dias. Porém, até na doença Moussa mostrou sua garra, sua vontade de viver, sua obstinação pelos objetivos traçados e pelo incrível domínio de seu cérebro pelo corpo. Por mais de tres vezes esteve para “chegar ao fim” e, como que por milagre, se recuperava, voltava a Bauru, continuava trabalhando e falando de política e estratégia social (aliás seus assuntos prediletos).

Mas lamentavelmente a doença o venceu, após mais de um ano e meio de luta. Luta, aliás, que sempre foi sua marca registrada em todas as empreitadas que aderiu. Foi amigo de todos. E até nisso Moussa foi um privilegiado, pois nesse momento seus milhares de amigos estão rezando para que seu espírito esteja em paz, e em um patamar calmo e sereno, onde somente os justos têm seus espaços. Moussa: valeram seus ensinamentos. (Renato Cardoso - Publicitário - RG 3.650.683)

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