As margens do córrego Barreirinho, localizado entre o Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e o Jardim Flórida, serãorecuperadas. O Instituto Ambiental Vidágua vai receber R$ 40 mil do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (Fehidro) para cercar e reflorestar 20 hectares de área pública nas margens do córrego com espécies da mata ciliar.
O projeto visa recuperar as margens do córrego, que hoje estão degradadas, através do plantio de mata ciliar e, assim, controlar processos erosivos e de assoreamento. A iniciativa tem como parceiros a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a Sociedade Amigos para a Cidadania e Meio Ambiente de Bauru, organização não governamental que reúne representantes de vários bairros da região.
O secretário executivo do Vidágua, Ivan De Marche, conta que serão plantadas cerca 34 mil mudas nativas de espécies como peroba, timburi, aroeira vermelha e jatobá. O projeto terá duração de 18 meses entre a preparação do solo, construção de cercas para proteção e os plantios da mudas.
Marche explica que o Vidágua priorizou o córrego Barreirinho porque na época da elaboração do projeto, em 1999, era um rio limpo, que não recebia esgoto. Porém, a construção do Núcleo Bauru 2000 causou um processo erosivo que acabou rompendo os interceptores de esgotos instalados às margens do córrego. Hoje, o Barreirinho é um rio poluído novamente, lembra.
“Na época, como o Barreirinho não recebia esgoto, a proposta era recuperar o fundo de valeâ€, diz. Além disso, o interesse em preservar a área partiu dos próprios moradores da região do córrego, através da Sociedade Amigos para a Cidadania e Meio Ambiente de Bauru, que procurou a instituição.
A Semma já multou a empresa responsável pela construção do Bauru 2000 e entrou com ação na Justiça, que ainda está tramitando, cobrando a recuperação da área degradada em função da erosão. “Cobramos a recuperação da APP (Área de Proteção Permanente)â€, frisa Luiz Pires, titular da Semma. Por lei, na APP 30 metros a partir da margem têm que ser preservados.
A Sociedade Amigos para a Cidadania já tem um projeto para participar da recuperação das margens do Barreirinho. José Raul Franco Canheti, diretor de meio ambiente da ONG, conta que a proposta é envolver alunos das escolas da região. “Estamos viabilizando uma parceria com as escolas Padre Jorge Lima, Ada Cariani Avalone e João Maringoni. Os alunos ajudariam no plantio e manutenção das mudasâ€, frisa.
Ele ressalta que a Sociedade Amigos para a Cidadania já realiza palestras sobre o projeto nessas escolas. “O Barreirinho tinha peixe até quando o emissário de esgoto estourou. Agora, precisamos recuperar a área degrada, mas o DAE (Departamento de Água e Esgoto) tem que consertar o interceptorâ€, propõe.
Além da recuperação ambiental, Canheti acredita que o projeto evitará a fixação clandestina de novos barracos às margens do rio. “Hoje temos dois barracos no lugar onde já foi uma favelaâ€, lembra. Waldir Caso, diretor de cidadania da Sociedade Amigos para a Cidadania, frisa que os moradores da região serão beneficiados com o projeto. “Quando essas árvores crescerem formarão um bosque, uma área de lazer para a comunidadeâ€, planeja.
Ele ressalta que as trilhas existentes no fundo de vale do córrego Barreirinho, que ligam a região do Bauru 2000 à do Jardim Flórida, serão mantidas e poderão continuar sendo usadas pela população. “Vamos cercare a área para impedir a entrada de animais que destruam as mudas de árvores, mas manter as trilhasâ€, afirma.