Tribuna do Leitor

Atos de amor


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Mais um ano se foi e todos, com certeza, fizemos um retrospecto de nossa vida e planos para o futuro. O que foi o ano que passou? como foi minha participação nas questões humanas/sociais? O que fiz de concreto para tornar meu mundo melhor? Como amei? Amei só os que me amam e me cercam ou fui capaz de ir além? Que amor esteve presente em meu coração? O amor egoísta ou o amor incondicional? Essas questões me permitiram refletir sobre a miséria humana e como nós, que temos um pouco mais, a usamos para espiar nossos pecados de omissão e para dar maior espaço à nossa vaidade? Ajudamos, sim, mas também aparecemos na mídia. Que bom! Unimos o útil ao agradável. Será que não estamos sendo inocentes ao pensar que estamos bem com o mundo e com nosso Deus, só porque uma vez por ano “saciamos” a fome de alguém? Que bom que conseguimos realizar um “Natal sem fome”, mas pobre não tem fome só no Natal. Penso que o slogan usado na mídia, “Quem tem fome tem pressa”, deveria ser modificado para “Quem tem fome tem dignidade”.

Assim pensando, poderíamos nos aprofundar mais nas situações - problemas de nossa cidade e, quem sabe, sugerir aos órgãos competentes que estabeleçam programas de ação de acordo com as necessidades do bairro em que moramos. Aquele que recebe a cesta de Natal sabe exatamente do que precisa durante o ano para que sua família viva com dignidade. Por que não descermos até eles e, com eles, planejarmos as ações? Por que temos, sempre, que nos colocarmos na posição de “mais saber” e, com isso, decidir o que é bom para os “menos favorecidos”. Se quisermos, poderemos começar dentro de nossa casa, perguntando para nossa “secretária” como ela se arranja quando a creche fecha para dar férias a seus funcionários ou onde e como ficam seus filhos durante o ano inteiro, durante o turno em que não estão na escola.

Certa vez, participando de um evento, um conferencista relatou a experiência de uma cidade do Interior paulista em que o prefeito pretendia construir uma ponte ligando dois bairros e a população desses bairros se mobilizou e exigiu a construção de 2 creches. Vamos repensar e agir, de forma que no final de 2004 não haja necessidade de promovermos o “Natal sem fome”, não saiamos no jornal a não ser para dizer: que bom, minha parte eu fiz o ano inteiro. O pobre só é pobre de bens materiais mas, com certeza, tão ou mais capaz de decidir o que é bom ou o que falta para si e para sua família. Vamos ter sempre na lembrança alguns ensinamentos de Jesus: “Pois eu vos digo: se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus, de modo algum entrareis no Reino dos Céus”; “Quanto a ti, ao dares esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua direita, a fim de que tua esmole fique em segredo; e teu Pai que ve no segredo, te retribuirá”. (Maria Aparecida Andrade Moscogliato- R.G. 3.522.965)

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