Auto Mercado

Carro inundado! O que você faz?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 6 min

Ter o veículo inundado pelas águas de uma chuva forte, comuns no verão, é experiência desagrável e apavorante que repete-se com freqüência em Bauru. Por isso, todo cuidado é pouco na hora de encarar os “dilúvios”. Mas se você teve o carro alagado, saber agir nestes momentos críticos e durante o processo posterior de sua recuperação é essencial para que os prejuízos não se agravem.

Se o seu veículo encalhar e o motor “morrer”, independente do local em que estiver, tenha em mente sempre esta fundamental e prioritária providência: jamais, e em hipótese alguma, tente ligar o carro novamente. “Quem fizer isso correrá o risco de ter o propulsor de seu carro danificado seriamente”, adverte o mecânico bauruense Livaldo Galego Moreno.

Ele explica que o maior problema é a possibilidade da ocorrência do chamado calço hidráulico, que é quando o motor, através do filtro de ar, aspira água até seus componentes internos. “Como esta não é um elemento comprimível, pode provocar a quebra de peças fundamentais para o funcionamento do motor, que, dependendo do estrago, tem de ser substituído por completo”, alerta Livaldo.

Desta forma, acrescenta o mecânico, o melhor a fazer é esquecer que a ignição existe. “Também é besteira achar que pode fazer isso após a água abaixar, pois o problema pode ocorrer da mesma forma. Quem não atentar para estes detalhes poderá ter o motor partido ao meio, dano que custa entre R$ 4 mil a R$ 5 mil para ser reparado”, enfatiza.

Ele orienta que, se possível, o veículo deve ser amarrado para evitar que a correnteza o leve e, depois, o guincho acionado a fim de conduzi-lo até uma oficina. Nesta, ele passará por um verdadeiro check-up geral, que constatará as proporções dos danos. “Mas os fluidos têm de ser substituídos, principalmente os óleos do motor, câmbio, freio e direção hidráulica e até o combustível, pois todos contaminam-se com a água.”

A preocupação é ainda maior se o automóvel possuir injeção eletrônica, equipamento sensível à água por conter diversos componentes eletrônicos. “Após um alagamento, muitos deles não podem ser recuperados e precisam ser trocados”, salienta Livaldo. “A chance é maior de ocorrer se o condutor insistir em ligar o carro na água, pois poderá queimá-los com a passagem da corrente elétrica”, esclarece.

Já nos carburados, as avarias podem ser menores devido à menor quantidade de itens eletrônicos. “Nestes os serviços mais comuns, após um alagamento, são a substituição dos fluidos e filtros e esgotamento do tanque de combustível”, frisa o mecânico. Porém, eles apresentam igual probabilidade de quebra de motor em caso de acionamento na água. “O risco é o mesmo dos injetados”, compara.

No entanto, Livaldo sustenta que, em muitos casos, o simples processo de limpeza do motor já é suficiente para resolver os possíveis defeitos da inundação. “Mas isso só é válido para quem não se aventurou em querer ligá-lo após a água tê-lo invadido”, enfatiza.

O mecânico conta que, nos carburados, tal serviço custa cerca de R$ 500,00, enquanto nos automóveis equipados com injeção eletrônica o mesmo reparo pode variar entre R$ 500,00 a R$ 2 mil. “Dependerá do modelo”, salienta Livaldo.

____________________

Vítimas das enchentes

Encontrar “vítimas das águas” em Bauru não é tarefa complicada, tal a freqüência com que o fato ocorre na cidade. Uma delas é o taxista Rubens Dionísio, que há quase um ano amargou um prejuízo de mais de R$ 3 mil com seu automóvel, um Chevrolet Omega, que precisou ter o motor substituído.

Dionísio conta que, além do desfalque financeiro, ficou dez dias sem poder trabalhar, período necessário para conserto do carro. Ele recorda que o fato ocorreu quando dirigia por uma avenida local para pegar um passageiro. “Em certa altura, como a via estava alagada, parei e esperei os Bombeiros a liberarem”, diz.

Entretanto, o que o taxista não esperava era a presença de uma verdadeira “armadilha” escondida sob a água: um enorme buraco no asfalto, que havia cedido com a força da chuva.

“O veículo caiu nele, a água cobriu o capô e o motor parou. Tive a impressão de ter passado por uma enorme pedra devido ao tranco que senti na hora”, relembra o taxista. Na seqüência, ele ressalta ter tentado dar a partida no automóvel. “Não adiantou. O motor nem virava”, afirma ele.

Outro que sentiu no bolso as conseqüências da água para o carro foi um médico bauruense, que pediu para sua identidade ser preservada. O profissional teve o carro inundado em uma chuva forte que atingiu recentemente a cidade. Os prejuízos ainda não foram calculados, pois o veículo ainda está na oficina em fase de orçamento. “Mas ficarei, pelo menos, um mês sem ele”, diz.

O médico revela que seu veículo parou após entrar em uma enxurrada, que causou a inundação de seu carro até os bancos. “Foi impossível evitar, pois era um local onde passava sempre e que jamais tive notícia de alagamentos destas proporções”, considera ele.

Os estragos só não foram maiores porque ele tomou a atitude correta: não tentou ligar o automóvel novamente. “Liguei pedindo socorro à família, deixei-o na casa de um amigo das proximidades e, no outro dia, fui rebocá-lo”, recorda o médico.

____________________

Tapeçaria pede ação rápida

A tapeçaria do veículo é outro ponto seriamente afetado em um alagamento que, a exemplo da parte mecânica, exige ação rápida do dono do automóvel. Neste caso, quanto mais se demora para consertá-los, piores as conseqüências.

“Os estofamentos devem ser limpos enquanto ainda estiverem molhados. Se a pessoa esperar muito e eles secarem, ficarão com odores insuportáveis que dificilmente sairão”, adverte Renato Sérgio Pilastri, proprietário de um estabelecimento bauruense especializado em tapeçaria. “Há situações que só a troca dos bancos e demais estofamentos resolve o mau cheiro”, complementa.

Pilastri destaca, ainda, que a perda total dos bancos é rara, mas ocorre, principalmente, naqueles equipados com componentes elétricos de ajustes lombares de altura e profundidade.

Ele explica que o processo de recuperação dos tecidos envolve tarefas de desmontagem e lavagem completa - com produtos específicos de higienização industrial - de todos os bancos, capas, espumas, carpetes e revestimentos dos automóveis. O mesmo vale para os modelos em couro. “Após a limpeza, o correto é deixar o carro secando por, pelo menos, dois dias para depois iniciar-se a remontagem.”

De todos os tecidos, o tapeceiro recomenda que o feltro de forração, normalmente existente debaixo dos carpetes, seja sempre substituído. “Por ser muito grosso, com o decorrer dos anos ele vai retendo impurezas que não são retiradas com as lavagens e tornam-se fonte de odores desagradáveis”, afirma.

Pilastri revela que a limpeza dos automóveis alagados pode custar entre R$ 180,00 a R$ 480,00. Já se o serviço envolver a troca completa dos revestimentos, o preço sobe, variando de R$ 400,00 para os equipados com tecidos normais, R$ 900,00 para os navalhados e R$ 1.600,00 para os com bancos de couro.

Comentários

Comentários