Política

Bauru sairá ganhando com 2º turno, afirmam analistas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A chegada de 2004 representa também o início de um ano marcado pela sucessão eleitoral que irá definir quem comandará os destinos de Bauru daqui a 12 meses. A realização, pela primeira vez na cidade, do segundo turno para prefeito é apontada por dois analistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) como um importante avanço para fortalecer a democracia e dar maior respaldo ao candidato escolhido.

O cientista político Celso Zonta acredita que o sistema favorece o início de governo do futuro novo prefeito. “O candidato que se elege no segundo turno obtém uma maioria significativa e é eleito com uma quantidade de votos que o credencia a ser o representante da população, diferentemente de você ter sete ou oito candidatos e alguém ser eleito com 30% dos votos, ou seja, com apoio de apenas um terço da população”, diz.

Segundo ele, o eleitor também é beneficiado. “A proposta de dois turnos produz uma melhoria na democracia, no sentido de que, se eu não conseguir eleger o meu candidato no primeiro turno, tenho como opção escolher não aquele que eu gostaria de fato, mas o que se aproxima mais das minhas idéias. O eleitor poderá se sentir contemplado no segundo turno, de uma forma ou de outra”, comenta.

O professor Maximiliano Martin Vicente concorda. “O segundo turno permite um esclarecimento maior com relação aos candidatos. Você pode melhor analisá-los qualitativamente, até porque as alianças que estão por trás precisam se manifestar de maneira mais clara e é possível saber quem é quem. Nesse ponto, acho que é muito saudável”, declara.

Para que um candidato a prefeito vença a eleição ainda no primeiro turno, ele terá que obter 50% mais um dos votos válidos, o que, na visão de Zonta, é pouco provável. “Não acredito que tenhamos essa situação, até porque o quadro eleitoral aponta para que tenhamos, de fato, o segundo turno”, opina.

Fatores

O professor Vicente acredita que há alguns fatores que serão determinantes na eleição. Um deles é o desempenho dos governos federal e estadual nos próximos meses. “Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiver bem, creio que o candidato que tiver o apoio do PT terá muita chance. O mesmo ocorrerá com o PSDB se o governo do Estado chegar às eleições com prestígio”, analisa.

Ele afirma que o horário eleitoral gratuito também terá peso importante. “Hoje, a campanha é mídia e eu não sei qual é o potencial que os candidatos têm, em termos econômicos, para realizar uma boa campanha nesse sentido, que é o fator que tem sido decisivo nas últimas campanhas”, declara.

Vicente alerta também para a necessidade de se formar uma chapa forte. “Tem que se tomar muito cuidado com o vice, porque eventualmente aquele que for eleito prefeito poderá vir a concorrer a deputado estadual ou federal em 2006”, comenta.

O cientista político Celso Zonta lembra que, a dez meses do primeiro turno, muita coisa ainda pode acontecer. “As lideranças dos partidos estão conversando entre si para tentar consolidar apoios e alianças e isso implica não só em negociação de cargos, mas também em discutir pontos do programa de governo”, diz.

Para ele, as alianças têm aspectos bons e ruins. “O lado positivo é que as forças precisam ser contempladas. Aumentando o leque de possibilidades de apoio, também se amplia o potencial de recursos humanos com capacidade de administração no governo. O lado negativo é que isso acontece, muitas vezes, como se fosse uma feira ou um mercado comum, sem discussão programática”, aponta.

Zonta afirma que o clima de novidade que envolveu a eleição do presidente Lula não existe mais, mas um outro aspecto permanece. “É o da esperança de mudança, de desejo de fazer com que a cidade saia desse atoleiro e que volte a significar uma força não só econômica, como também social, para toda a região”, declara.

Calendário eleitoral de 2004

30/06 - Último dia para a realização de convenções para escolha de candidatos

03/07 - Fim do prazo para candidatos a prefeito ou vice participarem da inauguração de obras públicas

17/08 - Início da propaganda eleitoral gratuita

30/09 - Fim da propaganda eleitoral gratuita antes do 1.º turno

30/09 - Último dia para realização de debates antes do 1.º turno

03/10 - 1.º turno das eleições

18/10 - Início da propaganda eleitoral gratuita do 2.º turno

29/10 - Fim da propaganda eleitoral gratuita

29/10 - Último dia para realização de debates

31/10 - 2.º turno das eleições

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