O período de chuvas que acompanha o verão traz consigo um aumento considerável na incidência de algumas doenças. De acordo com o Ministério da Saúde, uma das maiores preocupações é com a leptospirose, que atinge uma média de 3 mil brasileiros por ano e mata aproximadamente 10% das pessoas infectadas.
A leptospirose é uma zoonose. Causada pela bactéria Leptospira, a doença infecto-contagiosa pode ser facilmente transmitida ao ser humano pelo contato deste com a urina de animais contaminados. Cães e ratos são os principais transmissores.
Ao “lavar” o solo, enxurradas e enchentes carregam uma grande diversidade de germes nocivos à saúde humana, inclusive a Leptospira. Segundo a consultora da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Lourdes Simões, isso faz com que o número de casos da doença aumente muito nos meses de dezembro a março, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do País.
Para minimizar as conseqüências da patologia, o Ministério da Saúde intensifica suas ações de controle nesta época do ano. Uma delas é a capacitação de agentes de saúde dos Estados com maior incidência da doença para diagnosticar e tratar os pacientes com sintomas suspeitos. Outra medida é o controle de roedores existentes na área urbana.
“O papel da população nesse controle é extremamente importante, principalmente em relação ao lixo, que atrai o roedor por ser o seu principal alimento”, explica Simões. “Essas ações devem ser desenvolvidas durante o ano inteiro para que, no verão, possa haver uma redução da população de roedores e uma diminuição do número de casos de leptospirose”, acrescenta.
Segundo a Agência Saúde (assessoria de imprensa do ministério), a urina de ratos, ratazanas e camundongos é a principal fonte de transmissão da bactéria ao ser humano. Os roedores contaminam a água, o solo e os alimentos de todos os locais por onde passam. Por isso a importância de se observar tão cuidadosamente as condições de armazenamento dos alimentos e a origem da água a ser ingerida.
A assessoria informa que a grande preocupação do Ministério da Saúde deve-se ao fato de que, em casos de enchentes e inundações, a urina dos animais presente em esgotos e bueiros mistura-se à água e à lama. A partir daí, qualquer pessoa que entrar em contato com esses resíduos pode ser infectada.
“No período das chuvas, o nível da água sobe muito. Ela entra e sai dos bueiros e dissemina a bactéria pelas ruas e residências. diante dessa situação, aumenta o risco de exposição do homem”, ressalta Simões.
Condições favoráveis
As condições sanitárias também contribuem para a disseminação da doença entre os humanos, segundo o Ministério da Saúde. Situação habitacional precária, casas localizadas às margens de córregos, terrenos baldios ou lixões e, principalmente, onde o serviço de saneamento básico é inadequado ou insuficiente facilitam a contaminação.
“A leptospirose é uma doença relacionada a problemas sócio-econômicos e está ligada, certamente, às condições de vida e moradia da população”, reforça Lourdes Simões.
Para prevenir a contaminação, especialistas recomendam que se evite o contato direto da pele com água de chuva, córregos, rios e terrenos encharcados. Pessoas que moram em regiões propensas a sofrer alagamentos devem deixar suas casas e buscar abrigos seguros durante chuvas fortes e só devem voltar para casa depois que a água já tiver escoado.
A limpeza dos ambientes inundados deve ser feita usando-se luvas e botas impermeáveis. Roupas e objetos que tiveram contato com água de chuva devem ser muito bem lavados e desinfetados. Se houver ratos, deve-se entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses da cidade ou com um agente municipal de saúde.
E o mais importante: todos os alimentos atingidos pela chuva precisam ser desprezados. E a água de beber deve ser fervida e filtrada.
Não existe vacina contra a leptospirose para seres humanos. Os cães, porém, podem ser imunizados com doses anuais ou semestrais (para os que vivem em áreas mais suscetíveis à contaminação).
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Sinais e sintomas
Após o contato da pele do ser humano com a lama ou água contaminada, a bactéria da leptospirose penetra no organismo e desencadeia a infecção. Os sintomas da doença manifestam-se em um período de sete a oito dias a partir da contaminação.
De acordo com a Agência Saúde, a leptospirose é parecida com uma gripe forte. A pessoa apresenta febre, dor de cabeça, dores musculares - principalmente nas panturrilhas (“batata” da perna) - e coloração amarelada na pele. Quadros mais graves podem resultar em hemorragias, havendo a necessidade de cuidados hospitalares.
“Às vezes, a leptospirose passa despercebida. As pessoas tomam medicação para gripe, ficam curadas e nem sabem que foram contaminadas pela doença”, salienta a consultora da Secretaria de Vigilância em Saúde, Lourdes Simões.
Como os sintomas da doença podem ser confundidos com várias outras infecções, ela orienta que todas as pessoas que apresentem sinais suspeitos devem procurar um posto de saúde e não fazer automedicação. O remédio errado pode agravar a doença. A leptospirose pode matar.