Os iniciados no assunto talvez já tenham ouvido falar em Leo do Rasi. Ainda assim, o compositor de samba-enredo ainda considera-se um anônimo. Ele nunca ganhou dinheiro com suas letras e sonha um dia ouvir uma delas tocando nas rádios.
“Meu maior sonho é ouvir um trabalho meu nas rádios, cantado por um cantor famoso. Seria meu sonho”, enfatiza.
No dia-a-dia, Leo do Rasi é Elionai de Lima, 47 anos, e tem jornada dupla em laboratórios de análises clínicas em Bauru. Mas o que ele gostaria mesmo é de se dedicar somente às suas composições. “Seria o sonho de todo mundo. Eu nunca ganhei nada com samba. Só trofeuzinho”, conta.
Após 12 anos de dedicação às letras, decidiu tomar a arte como lazer. “Como eu não consegui nada até agora para ganhar com o samba, isso fica como um hobby”, justifica.
Leo, que mora no Núcleo Octávio Rasi, é autor de sambas premiados em Bauru. “Eu tentava, tentava, tentava. Meu samba era muito comprido ou curto demais. Mas depois que eu aprendi, os seis sambas da avenida eram meus - Cartola, Mocidade, Tradição, todas as escolas de samba. Eu pensei: ‘Nossa, estou no céu’.”
Leo conta que começou a rimar desde cedo, por influência de seu pai, alagoano e repentista. “Às vezes, na redação da escola, eu estava rimando. Tudo era à base de verso”, relembra.
O compositor tece elogios ao cenário artístico local. “Bauru é um celeiro. Tem um cantor melhor que o outro, tem capoeira, tem ceramista. Muita gente desconhecida”, afirma.