Castellón, Espanha - Depois de um prólogo atípico, realizado debaixo de neve em Clermont Ferrand; duas etapas cronometradas na França e uma ontem na Espanha com muito barro; e outra na praia de Castellón, o Rali Paris-Dacar se despediu da Europa. Hoje os competidores de carros, motos, caminhões e quadriciclos iniciam hoje a etapa africana da competição, considerada o “Dacar real”.
Nos carros, os brasileiros Klever Kolberg e Lourival Roldan, pilotando um Mitsubishi Pajero Full, caiu quatro posições após a terceira etapa do Rali Paris-Dacar entre os carros. Agora, a dupla está em 18º lugar, com o tempo de 34min35s.
Na curta etapa de ontem, apenas nove quilômetros entre as cidades de Castellón e Tangiers, Klever teve um mau desempenho. Ele ficou em 33º lugar, com 7min27s, a 1min05s do vencedor, o sul-africano Giniel de Villiers, com um Nissan.
Os brasileiros estão a 3min05s do francês Stephane Peterhansel, também com um Mitsubishi, que ficou em terceiro lugar ontem. Nas motos, o francês David Frétigne venceu mais uma e agora é o líder da competição com uma Yamaha WR 450 cilindradas com tração nas duas rodas.
O brasileiro Jean Azevedo, pilotando uma KTM 700, ficou na 43ª posição no geral, terminando 1 minuto e 29 segundos atrás do vencedor, o francês David Fretigne.
O piloto brasileiro Kleber Kolberg alertou sobre as dificuldades a serem enfrentadas a partir de agora na África. “Isso significa que a partir de agora tudo será mais difícil e complicado”, disse o brasileiro Kolberg, piloto do Mitsubishi Pajero, antes de seguir para o porto de Algeciras, onde os veículos foram embarcados para a travessia do Mediterrâneo até o Marrocos.
Na África, as vagas em hotéis em pequenas cidades, quando elas existem, são mínimas. A única alternativa é o saco de dormir e a barraca. Cada um tem a sua. A única comida confiável é a oferecida pela organização, mas no grande “restaurante” montado em pleno deserto (na verdade várias tendas no estilo tuaregue) não há mesas ou cadeiras.
Para suprir uma caravana com aproximadamente 1.500 pessoas, a organização precisa de uma logística que impressiona. Ao todo serão consumidos 85 mil litros de água mineral, 2,2 toneladas de carnes, dois mil quilos de legumes e 1.500 quilos de pão local. Para preparar o café da manhã e jantar para este batalhão que cruza o deserto, 54 pessoas trabalham quase que 24 horas por dia.
As paradas diárias do rali são feitas em aeroportos e bases militares. No início da manhã uma verdadeira cidade é montada no meio do deserto. Aviões cargueiros levam dezenas de toneladas de equipamentos, que são montados em questão de horas: antenas para transmissão e recepção de dados via satélite e os equipamentos para o “hospital”.