Economia & Negócios

Contas de janeiro são "quebra-cabeças"

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Colocar o orçamento doméstico em ordem no mês de janeiro é uma tarefa semelhante a montar um quebra-cabeças. O primeiro mês do ano chega com seus tradicionais dois impostos - o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) -, a matrícula na escola dos filhos e a famigerada lista de material escolar. Além disso, começam a vencer as prestações das compras de final de ano.

No caso dos impostos, a recomendação é pagar à vista somente se houver dinheiro em mãos. Isso porque os descontos não são muito atraentes. No caso do IPVA, o Estado oferece 3,5% de desconto para pagamento à vista em janeiro. Já o IPTU merece ser analisado com mais “carinho”. De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), os juros embutidos em cada parcela está em torno de 2,5% - para quem pagar à vista, o desconto é de 10%.

“Quem está estrangulado com o orçamento, vai ter de entrar nos parcelamentos propostos para esses impostos”, declara Cafeo, para quem não vale a pena atrasar esses pagamentos devido à taxas de juros e multas elevadas.

Segundo ele, também não é recomendável contrair empréstimo ou utilizar o cheque especial para pagar esses impostos. “Se a pessoa vem de um final de ano complicado, o melhor é parcelar, porque essa taxa de juros (embutida) é menor do que qualquer outra que você contrate hoje no banco ou mesmo no cheque especial”, diz o economista.

A analista fiscal Adaiza Marin Lemes afirma que vai parcelar os impostos de janeiro em sua casa. “Se fosse pagar tudo à vista, teria de recorrer ao cheque especial”, afirma. Na opinião dela, o valor do IPVA é muito elevado e o desconto é pequeno para estimular o pagamento à vista. “Já o IPTU, que não é tão caro, é preferível pagar de uma só vez”, diz.

Adaiza conta que deve gastar neste início de ano cerca de R$ 530,00 com a matrícula e o material escolar do filho, que vai inciar a 2.ª série do ensino fundamental. O valor é R$ 50,00 superior ao que ela gastou em 2003. “O material escolar, com apostila e tudo, é um tanto caro”, diz. E acrescenta: “Janeiro é um mês super-apertado”.

A analista também estuda mudar o período de escola do filho para economizar com o trasnporte escolar. No ano passado ela contratou os serviços de uma perua, que teve de dispensar no final do ano. “Fiquei sabendo que o pagamento era corrido, incluindo dezembro e janeiro”, diz.

Para Adaiza, porém, a vantagem é que calculando corretamente os gastos não será necessário recorrer ao cheque especial ou ao cartão de crédito. As compras de fim de ano, por exemplo, ela conta que fez todas à vista, justamente para não sentir nenhum resquício em 2004. “O melhor é se programar com o 13.º salário e cumprir”, aconselha.

De acordo com o economista Cafeo, é possível baratear a lista de material escolar. “Uma dica importante é juntar quatro ou cinco famílias para se cooperarem na hora de comprar material escolar e negociar com a loja. Como você ganha no volume, pode obter prazos maiores ou até abatimento”, recomenda.

Segundo ele, a concorrência no setor de papelaria está muito acirrada, principalmente nesta época de preparação para o início das aulas, o que pode favorecer as negociações. “Aí vale a velha tática de pesquisar, bater o pé e pechinchar”, conclui Cafeo.

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