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O paciente americano


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A maioria dos jornais estampou, nas primeiras páginas de 2004, a indignação dos turistas dos EUA ao receberem, no Brasil, o mesmo tratamento “profilático” dispensado aos brasileiros que viajam ao seu país. “Tadinhos”! Eles não estão acostumados à terapia de choque. Se analisarmos a situação sem paixões, até que o controle de acesso aos EUA é justificado, pois eles estão sob risco de ataques terroristas. Não que eles tenham alguma culpa disso, afinal sua conduta internacional é exemplar e sua diplomacia extremamente cordial e defensora da autodeterminação dos povos.

Eles podem desconfiar das verdadeiras intenções dos outros, mas não há porque questionar a lisura, puritanismo, firmeza de caráter e boas intenções dos cidadãos estadunidenses do norte que nos visitam! A causa dessa indignação também faz sentido se fizermos uma analogia com seus equivalentes históricos; afinal, os cidadãos romanos tinham privilégios e trânsito livre em todo o império. O mesmo ocorria com os franceses, no tempo de Napoleão, e ingleses, no período vitoriano. Seguindo essa linha, a atitude de “fichar” egressos dos EUA é, para eles, realmente ultrajante! (...)

Na verdade, o “calcanhar de Aquiles” do governo Bush não é a segurança interna, mas sim sua política internacional. O resultado é que o paciente continua sofrendo com um diagnóstico errado, enquanto a doença prolifera! Globalização com epicentro em Washington ou Nova York; democracia, para uso interno, e xenofobia para dar e vender, num mundo sem fronteiras para eles! Se as potências anteriores quiseram assim, por quê não eles? Pensando bem, eles estão corretos em controlar o acesso de estrangeiros aos EUA! Se todos os povos tivessem feito o mesmo não teria ocorrido o colonialismo predatório da Era Moderna - que tem efeitos negativos até hoje; os agentes da CIA e da KGB, e seus antecessores do serviço secreto britânico, Gestapo etc., não teriam fomentado e financiado golpes de estado na América do Sul, África e Ásia; as imigrações teriam sido proibidas (...)

É anseio de todos erradicar o mundo de doenças. O mesmo vale para a violência! Nesse caso é preciso administrar, indiscriminadamente, vacinas antiarrogância e antipreconceito. Infelizmente, ainda se investe muito pouco nessa área de pesquisa, pelo “baixo retorno financeiro”; e nada, atualmente, tem feito mais mal aos EUA do que as atitudes de seus governantes e financiadores! O tecido que tentam “enxertar” no mundo tem gerado tanta rejeição, que os “medicamentos” adotados tendem a comprometer a integridade do “paciente” em vez de assegurar sua assimilação. Se o governo Bush quer eliminar o terrorismo antiamericano do mundo deve, antes, administrar essas vacinas em si próprio. Afinal, o bom médico deve ter a consciência e coerência de usar o mesmo remédio que receita! O dia que isso acontecer, talvez haja alguma verdade na frase: O que é bom para os EUA é bom para o mundo! (O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é engenheiro e professor universitário)

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